banca

CGD “avaliará carência de capital até 6 meses” no crédito à habitação e consumo

Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos. A CGD é um dos bancos que financiou Isabel dos Santos.
Filipa Bernardo/ Global Imagens )
Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos. A CGD é um dos bancos que financiou Isabel dos Santos. Filipa Bernardo/ Global Imagens )

Para as empresas, a CGD vai aceitar reajustar os pagamentos das prestações mensais nos seus créditos de médio e longo prazo num prazo até 6 meses.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai avaliar a eventual carência de capital até 6 meses nos contratos de crédito à habitação e ao consumo, no âmbito de um conjunto de medidas que o banco vai implementar de imediato para minorar os impactos da epidemia de coronavírus nos clientes particulares e empresariais.

No caso das empresas, o banco estatal vai “aceitar reajustar os pagamentos das prestações mensais nos seus créditos de médio e longo prazo com por um período até 6 meses, para que possam ajustar os seus planos de tesouraria aos novos níveis de atividade”.

“O momento de exceção em que nos encontramos exige que se atue no sentido de apoiar as empresas e os particulares a ultrapassarem os fortes constrangimentos de liquidez que a redução da atividade gera. Neste sentido a CGD decidiu tomar um conjunto de medidas que de forma simples e imediata serão implementadas abrangendo os seus clientes com créditos ativos”, refere o banco num comunicado.

“Relativamente aos clientes individuais com crédito [habitação ou crédito pessoal], a CGD avaliará a eventual carência de capital até 6 meses, mediante pedido dos clientes e em condições de simplicidade de acesso, designadamente para o crédito à habitação”, adiantou.

A CGD já tinha anunciado, na manhã, que para mitigar as quebras de tesouraria das empresas suas abastecedoras, o banco antecipará este mês o pagamento a fornecedores no montante de 10 milhões de euros e manterá os pagamentos com prazos imediatos, após confirmação, nos próximos meses.

Estas medidas da Caixa vem reforçar medidas já adotadas pelo banco público, e por outros bancos, no sentido de minimizar o impacto da epidemia nas empresas e nas famílias.

O anúncio da CGD surge numa altura que o Banco de Portugal “está a preparar uma proposta abrangente de medidas ajustadas à situação resultante da pandemia Covid-19, para além das que foram ontem anunciadas por comunicado”.

O Governo deu hoje o seu parecer favorável a que seja decretado o estado de emergência para tentar conter a epidemia de coronavírus que já causou duas mortes em Portugal.

Medidas da CGD para as empresas

  • São várias as medidas que a CGD vai adotar em relação aos seus clientes empresariais, nomeadamente
  • algumas para setores específicos como o do turismo, saúde e transportes.

Entre as medidas, o banco vai prolongar os prazos de pagamento de financiamentos especializados em modelos de leasing para “equipamentos mais atingidos pela atual crise por períodos adicionais de 12 meses, reduzindo o esforço de tesouraria mensal”.

“Em articulação com as sociedades de garantia mútua (a CGD vai) promover o ajustamento das prestações dos financiamentos garantidos, igualmente de forma a aliviar o peso das prestações nos períodos críticos dos próximos meses”, adianta.

Vai também renovar “a generalidade dos planos de limites aprovados por prazos que podem ir até 180 dias, mantendo em vigor as disponibilidades de financiamento garantidas aos atuais clientes”.

  • Para o setor dos transportes, o banco vai alargar o prazo de pagamento dos leasings sobre viaturas ligeiras e viaturas pesadas períodos até 12 meses ou em alternativa introduzir períodos de carência até 90 dias.
  • No caso do setor de turismo, a CGD vai alargar os prazos de vencimento até mais 5 anos, “em função de avaliação pontual tendo presente aspetos específicos das empresas”.

Para empresas ou entidades do setor da saúde e social – como hospitais, clínicas, laboratórios, lares, bombeiros, entidades de apoio social, em geral – o banco vai simplificar “a decisão de prorrogação em 12 meses do prazo total de operações de leasing mobiliário que estejam em vigor e, em alternativa, introduzir períodos de carência até 12 meses”.

A Caixa vai ainda pré-financiar as encomendas do Estado ou de grandes cadeias de distribuição, “através dos mecanismos de crédito existentes, contribuindo para a manutenção das linhas de abastecimento das funções essenciais”.

“Como medida de apoio aos pequenos comerciantes, a Caixa isentará o pagamento da mensalidade de todos os Terminal de Pagamento Automático com faturação inferior a 7.500 euros por mês até 31 de maio”, adiantou a CGD. Vai também manter a política que tem vindo a ser praticada de não cobrar da componente fixa da MSC (Merchant Service Charge) nas transações de pequeno valor.

Medidas para particulares

O banco anunciou que, para clientes titulares das Contas Caixa, “todas as transferências realizadas através dos canais digitais serão gratuitas durante este período de crise”.

“Adicionalmente, para todos os clientes que sejam titulares de uma conta na CGD e que não sejam detentores de cartão de débito, a Caixa isentará a primeira anuidade”, adiantou.

Atualizada às 18H07 com mais informação

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
coronavirus turismo turistas

ISEG. Recessão em Portugal pode chegar a 8% este ano

A ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho. JOÃO RELVAS/LUSA

Pedidos de lay-off apresentados por 33.366 empresas

coronavirus lay-off trabalho emprego desemprego

Rendimento básico incondicional? “Esperamos não ter de chegar a esse ponto”

CGD “avaliará carência de capital até 6 meses” no crédito à habitação e consumo