Comissão de Inquérito Banif

Banif. “Se fosse um eletrocardiograma estava morto”

O diretor de informação da TVI garante que a notícia teve por base fontes documentais e que não foi desmentida "porque estava certa".

O diretor de informação da TVI, Sérgio Figueiredo, garantiu aos deputados da comissão parlamentar de inquérito ao Banif que a informação em que se baseou para avançar com a notícia que dava conta do encerramento do banco era fidedigna, baseada em fontes governamentais e que “não foi desmentida porque estava certa”.

Sérgio Figueiredo, respondendo ao deputado do PSD Carlos Abreu Amorim, apontou o dedo ao ministério das Finanças e ao Banco de Portugal por não terem esclarecido a opinião pública, após a notícia, sobre a situação no banco, evitando assim uma fuga de depósitos que chegou aos mil milhões de euros.

“O banco não estava em atividade, os balcões estavam fechados, o mercado estava fechado e nós corrigimos a informação de imediato antes dos balcões abrirem e as autoridades não tomaram medidas para clarificar a informação”, afirmou Sérgio Figueiredo, dizendo que na segunda-feira saíram 200 milhões de euros e nos dias seguintes os restantes 700 milhões.

Mesmo com os esclarecimentos publicados pelo BdP e pelo ministério das Finanças – que Sérgio Figueiredo, ao contrário do deputado do PSD, não vê como um desmentido – saíram mais 700 milhões de euros do banco, afirmou o diretor de informação da TVI.

“Na minha opinião é abuso atribuir em exclusivo à noticia da TVI tudo o que aconteceu ate ao fim da semana. E sabe porque é que não houve desmentido? E que os depositantes tiveram aquele comportamento? Porque os depositantes estavam a resguardar-se em factos. E não houve desmentido porque a notícia estava certa”, frisou, lembrando o caso BES.

Em resposta ao deputado do PS João Galamba Sérgio Figueiredo admitiu que a questão dos depósitos acima dos 100 mil euros não estarem assegurados foi “uma interpretação que não estava adequada. Não era nem absurda nem com intenções alarmistas porque era a aplicação da lei em vigor. Pensava-se que o Fundo de Garantia Salarial fosse usado para resolver a questão dos depósitos e para a notícia 17 minutos depois estar corrigida foi porque alguém com responsabilidades nos disse que esse cenário no ia ser aplicado.”

À deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua voltou a admitir que foi “uma questão de interpretação”.

Ainda assim, voltou ao tema da responsabilidade sobre a fuga de depósitos: “Estar a ligar isso à fuga dos 900 milhões é uma conclusão que eu não partilho nem posso compreender. Não estou a negar o impacto mas o programa só estava a ser visto na altura por 60 mil pessoas e passou num canal de cabo”.

“Tenho pena de não ter feito o que devia ter feito e o que provavelmente faria se fosse um dia da semana, era ter interrompido a emissão e ter dado o destaque que devia com as correções, não devia ter esperado pelo jornal da meia noite”, admitiu.

Já sobre o valor do banco em bolsa, Sérgio Figueiredo ironizou: “este banco valia zero. Este banco, desde 2013, que estava assim…”, afirmou, mostrando um gráfico com as cotações do Banif muito próximas do zero. “Isto se fosse um eletrocardiograma estava morto”, dizendo que o próprio regulador de mercado não suspendeu, na altura, as ações do Banif.

O ambiente entre o deputado do PSD e Sérgio Figueiredo chegou a estar tenso, com Abreu Amorim a acusar Sérgio Figueiredo de insultar a inteligência dos deputados da comissão e o diretor de informação da TVI a ripostar, dizendo que “o que insulta a inteligência dos portugueses é que algo que aconteceu durante quatro anos” poder ter consequências “por causa de uma notícia”.

“Não quero fazer-me de vítima mas não aceito ser culpado.”

A notícia de 13 de dezembro anunciava que o Banif poderia ser intervencionado e que estava “tudo preparado” para fechar o Banif e que os depositantes iriam perder dinheiro acima dos 100 mil euros, o limite garantido pelo Fundo de Garantia de Depósitos. A informação foi avançada em rodapé por volta das 22h e foi pouco depois alterada com mais pormenores e onde já não se referia o encerramento do banco. A TVI pediu desculpa pelo episódio mas o Banif, a 15 de Dezembro, anunciou que estava a preparar uma ação contra a estação de televisão.

Nos dias seguintes à informação avançada pela TVI houve uma fuga de depósitos do Banif, de cerca de mil milhões de euros, o que terá contribuído para a resolução ao banco, comunicada pelo Banco de Portugal a 2o de dezembro. A resolução previa uma injeção de 2,2 mil milhões de euros no banco, a venda dos ativos saudáveis ao Santander por 150 milhões de euros e a criação de um “banco mau” para os ativos tóxicos. Vários responsáveis do Banif apontaram o dedo à notícia da TVI como a machadada final na sustentabilidade do banco.

(notícia atualizada às 19h35 com mais informação)

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Outros conteúdos GMG
Hoje
apple one

Apple One junta vários serviços, chega a Portugal mas com limitações. O que tem

A  90ª edição da Micam, a feira de calçado de Milão, está agendada para os dias 20 a 23 de setembro, com medidas de segurança reforçadas. Fotografia DR

Calçado. Micam arranca este domingo e até há uma nova marca presente

Os ministros da Presidência do Conselho de Ministros, Mariana Vieira da Silva (C), Economia, Pedro Sia Vieira (E) e do Trabalho Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho (D). MANUEL DE ALMEIDA/POOL/LUSA

Portugal é o quarto país da UE onde é mais difícil descolar do mínimo

Banif. “Se fosse um eletrocardiograma estava morto”