Futuro da Banca

Banca portuguesa está frágil mas mostra sinais de recuperação

Fotografia: D.R.
Fotografia: D.R.

Os três maiores bancos ganharam 104,8 milhões de euros no primeiro semestre, menos 75%. BCP estragou a média.

Os testes de stress realizados pelo Banco Central Europeu (BCE) mostram que a banca portuguesa, ainda que frágil, parece estar melhor do que se pensava. E as contas dos três maiores bancos privados portugueses – BPI, Santander Totta e BCP – confirmam, na realidade, alguns sinais de recuperação.

O Santander Totta foi o banco que mais viu crescer os lucros – 196,2 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, um salto de quase 90%. O BPI ganhou 105,9 milhões, um aumento de 39,1% em relação à primeira metade de 2015. A exceção foi o BCP, que viu as contas serem penalizadas por efeitos extraordinários, gerando prejuízos de 197,3 milhões – mas, excluindo estes efeitos, garante o banco, os lucros até teriam aumentado.

Contas feitas, Santander Totta, BPI e BCP, somaram, no conjunto, lucros de 104,8 milhões, menos 75% que há um ano. Uma média estragada apenas pelo prejuízo do banco presidido por Nuno Amado.
“Há impacto nos resultados do BCP devido a resultados não recorrentes e à dívida vendida ao BCE, que este semestre não se verificou, além da questão das imparidades que acabou por prejudicar os resultados”, explica Pedro Ricardo Santos, analista da XTB. Excluindo esse efeito os resultados seriam mais animadores, embora os lucros viessem “sobretudo da atividade externa, o que mostra que o mercado doméstico ainda enfrenta dificuldades”. Cenário semelhante tem o BPI, com Angola a pesar quase 70% nas contas.

Luís Bravo, da DIF, refere que o BCP tem um “elevado impacto de imparidades reflete a fragilidade operacional do setor em Portugal, em linha com as preocupações de observadores internacionais”.
O banco de Nuno Amado também foi o único a registar uma queda do produto bancário (-22,6%), explicada com uma redução de 62% com operações financeiras. Santander e BPI já registaram um crescimento: o Santander aumentou o produto bancário em 36%, com o impacto da integração do Banif. Já a margem financeira melhorou nos três bancos. BPI e BCP também reduziram o valor global de crédito vencido há mais de 90 dias (o Santander Totta não dá valores).

Para a equipa de research do BiG “os resultados do BCP surpreendem pela negativa, acima de tudo porque o banco faz provisionamentos para além daquilo que a dinâmica do último ano poderia indiciar, mas os resultados dos stress tests dão o conforto de que os problemas não são tão profundos quanto provavelmente se receava”.

Pedro Ricardo Santos também concorda que a divulgação dos resultados dos stress tests do BCP é um sinal de que “Portugal pode estar melhor do que aquilo que se pensava”, referindo que seria interessante que os restantes bancos fizessem o mesmo.

Nos testes, o banco apresentou um rácio CET1 superior a 7% no cenário mais adverso, acima do mínimo exigido de 5,5% e um salto gigante face aos 2,99% que teve nos testes de 2014 da Autoridade Bancária Europeia (EBA).

Para Luís Bravo, “a divulgação destes dados é uma forma do banco passar uma mensagem aos investidores de que, apesar de ter voltado aos prejuízos e da evidente fragilidade dos sector bancário português, o BCP estaria adequado em termos de requisitos de capital, mesmo em situações extremas”.

Na Europa, os resultados também foram melhores do que o esperado – só o italiano Monte Dei Paschi di Siena ficou abaixo do exigido e vai precisar de um aumento de capital de 5000 milhões. Bruxelas já veio dizer os resultados confirmam que os bancos europeus são “crescentemente resistentes”.

Os bancos os italianos mostraram resultados positivos e até o Deutsche Bank apresentou valores melhores que em 2014, nota Luís Bravo. Contudo, avisa, “não é obviamente um resultado que deixemos observadores e investidores completamente descansados”.

“Os stress tests acabaram por ser uma oportunidade para prestar clareza acerca das exposições malparadas sem causar alarmismos, nem surpresas em relação a nenhum banco do qual já não se conhecesse problemas”, refere a equipa de research do BiG. Uma visão partilhada por Pedro Ricardo Santos. “Agora é possível quantificar em particular as necessidades de capital de determinados bancos”.

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