BPI

Isabel dos Santos absteve-se. BPI desblindado

Proposta do conselho de administração foi votada sob condição da providência cautelar ser retirada numa altura em que ainda falta decisão do tribunal.

A acionista angolana, Isabel dos Santos absteve-se, na assembleia geral que decorreu, no Porto, esta manhã, o que permitiu a eliminação do exercício dos direitos de voto existente na instituição, sabe o Dinheiro Vivo.

Os acionistas do BPI reuniram, hoje, no Porto, pela terceira vez após duas suspensões ditadas pelas providências cautelares interpostas pelo acionista Violas Ferreira e que impediram a votação da desblindagem dos estatutos, limitados a 20%, nas duas reuniões magnas anteriores.

A proposta do conselho de administração foi votada sob a condição de que a providência cautelar interposta pelo acionista Violas Ferreira Financial (2,67% do BPI) fosse retirada – este pedido ainda está por homologar no tribunal, sabe o Dinheiro Vivo. Esta providência cautelar impedia a votação da proposta da administração para a desblindagem dos estatutos – se fosse votada a proposta do CA esta votação poderia ser feita sem limites nos votos mas se fosse a de um acionista os votos continuariam limitados.

A segunda providência cautelar visava impugnar a nomeação da mesa da assembleia-geral, que tinha decidido que a proposta do conselho de administração seria votada antes da proposta do acionista Violas.

Ontem à noite, o BPI comunicou ao mercado que propôs à Unitel – a empresa de Isabel dos Santos, que detém a participação no Banco de Fomento de Angola (BFA) – a venda de 2% do BFA por 28 milhões de euros, passando a acionista minoritário. Hoje, o BPI detém 50,1% do capital do BFA e a Unitel tem 49,9%. A proposta é condicionada, porém, ao fim da limitação à contagem dos votos existente no BPI.

A desblindagem dos estatutos também é condição essencial para que a OPA do Caixabank, que tem 45% do capital do BPI, avance. O banco catalão oferece 1,113 euros por ação – e já disse que não ia subir o preço – mas a operação tem tido a oposição de acionistas como a Violas Ferreira Financial. Contudo, Tiago Violas já veio dizer ao Jornal de Negócios e à Antena 1 que a OPA é inevitável e que deixará de bloquear o futuro do banco.

As declarações levaram a que o mercado reagisse em alta, com os analistas a acreditar no fim dos limites de voto.

Na questão do fim dos limites de votos, até agora, o grupo da família Violas tinha estado alinhado com a ‘holding’ angolana Santoro (segundo maior acionista do BPI, com 18,6%) contra a alteração dos estatutos. O tema tem de ser votado em assembleia-geral devido a uma alteração legislativa, que Isabel dos Santos chamou de “diploma BPI”, em que os acionistas de bancos têm de se pronunciar sobre estatutos blindados até ao final do ano.

A questão da desblindagem de estatutos tornou-se um assunto maior no BPI devido à ‘guerra’ que tem oposto os principais acionistas, o espanhol CaixaBank e a angolana Santoro, de Isabel dos Santos, que não se entendem quer na redução da exposição do banco a Angola, obrigatória pelo Banco Central Europeu, quer numa estratégia para futuro do banco. A venda de 2% do BFA pelo BPI à Unitel poderá resolver o tema, já que o banco deixará de ter uma participação maioritária. Até porque a OPA, por si só, pode não resolver o problema da exposição excessiva a Angola.

O maior acionista do BPI é o banco espanhol CaixaBank, com 45,50%, e o segundo maior acionista é a Santoro, com 18,6%, os quais se relacionam com os 2,28% que o Banco BIC tem no BPI, uma vez que ambas as empresas têm Isabel dos Santos como acionista de referência. Já a seguradora Allianz tem 8,27% e a família Violas 2,67%.

As ações do BPI estão suspensas pela CMVM.

Em atualização

 

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