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FMI. CGD e Novo Banco podem obrigar a “mais injecções de dinheiro público”

O relatório do FMI alerta para os elevados níveis de crédito malparado e para a necessidade de vender os empréstimos problemáticos.

A recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e possíveis perdas com a venda do Novo Banco – tendo em conta a injeção do Fundo de Resolução – podem obrigar a “mais injeções de dinheiro público” no setor bancário, diz o o Fundo Monetário Internacional (FMI) no relatório da quarta missão de acompanhamento pós-programa de ajustamento, divulgado hoje.

O FMI defende que o setor bancário nacional precisa de “mais consolidação” porque enfrenta grandes vulnerabilidades, com a baixa rentabilidade, fraca qualidade dos ativos e elevado nível de malparado. “Os bancos portugueses não serão capazes de gerar lucros suficientes num futuro próximo para ter almofadas de capital”, avisa a entidade.

Para o FMI, “o sistema bancário exigiu uma série de intervenções financiadas pelos contribuintes nos últimos anos”, nomeadamente a queda do BES e a resolução do Banif (e ainda o peso da nacionalização do BPN). Contudo, para o FMI, “as necessidades de capital da CGD e possíveis perdas decorrentes da venda do Novo Banco podem exigir mais injeções de dinheiro público”.

Christine Lagarde. Foto: REUTERS/Leonhard Foeger

Christine Lagarde. Foto: REUTERS/Leonhard Foeger

A Caixa precisa de 5160 milhões de euros, com uma injeção de capital até 2,7 mil milhões de euros. O Novo Banco recebeu uma injeção de 4,9 mil milhões de euros, 3,9 mil milhões de capital público e não é expectável que se consiga vender por esse valor, ou sequer por um valor aproximado. A expectativa é que a venda do Novo Banco seja “dececionante”.

“O sistema bancário exigiu uma série de intervenções financiadas pelos contribuintes nos últimos anos”, diz o FMI.

O facto da CGD e do Novo Banco serem detidos pelo Estado e dos outros dois maiores bancos (BPI e BCP, embora não sejam referidos) terem grandes acionistas a controlar firmemente as entidades “deixa pouco ímpeto para cortar agressivamente os custos ou tomar medidas para diluir a liderança”.

As preocupações com dois dos quatro maiores bancos pesam nas perspetivas do setor, numa altura em que os mercados mostram cautela face às “significativas necessidades de capital” da CGD. O FMI refere ainda o problema do crédito malparado nos restantes bancos.

O sistema bancário deve ser uma “prioridade urgente” e que tem de haver uma “mudança estrutural na cultura bancária: é preciso “reestruturar os empréstimos problemáticos, aumentar as almofadas de capital e as provisões para as imparidades”.

Para o FMI a solução passa pela venda dos ativos problemáticos e a gestão dos bancos deve ter flexibilidade para reestruturar as suas operações e cortar custos de forma agressiva, através da redução de balcões e pessoal. “Se os bancos não estiverem focados na rentabilidade e continuarem a reforçar os buffers de capital com os seus próprios recursos há um elevado risco de ser precisa uma injeção de capital público de forma recorrente”.

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