Futuro da Banca

Novo Banco. Prazo termina hoje com todos os concorrentes a ir a jogo

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Igor Martins / Global Imagens
Fotografia: Igor Martins / Global Imagens

Há quatro interessados na venda direta do Novo Banco e um na venda em Bolsa. Expectativa é que todos entreguem propostas

O prazo de entrega das propostas para a compra do Novo Banco termina hoje, às 17:00 e a expectativa é que todos os cinco concorrentes se mantenham na corrida, apurou o Dinheiro Vivo junto de fonte conhecedora do processo.

Mas nem todos vão entregar versões melhoradas da primeira oferta, entregue a 30 de junho. O BCP, por exemplo, não vai entregar uma oferta revista, como já noticiou o Dinheiro Vivo, mantendo a carta que formaliza o interesse no dossier, sem preço. O banco mantém a proposta numa altura em que os chineses da Fosun – que apresentaram uma proposta pelo Novo Banco na primeira tentativa de venda – estão em vias de ficar com 16,7% do capital.

Na corrida à venda direta do Novo Banco está ainda o BPI, o consórcio Apollo/Centerbride – o fundo Apollo esteve na primeira tentativa de venda – e o Lone Star. No caso do BPI é incerta a posição do Caixabank, que é o maior acionista do banco e lançou uma OPA sobre o capital que ainda não detém. O banco catalão tem dito que está focado na conclusão da OPA mas Fernando Ulrich, presidente do BPI, já garantiu que as duas entidades estão “completamente de acordo” relativamente ao Novo Banco.

Já no processo de venda em mercado há apenas um interessado conhecido – os chineses do grupo Misheng Financial – e não é expectável que surjam novos interessados nesta fase. Podem, contudo, surgir manifestações de interesse quanto a uma eventual operação de dispersão do capital em Bolsa, o terceiro caminho que o Banco de Portugal pode seguir. O caderno de encargos divulgado pelo Banco de Portugal permite estas opções, para alargar o leque de potenciais interessados. O Santander Totta, por exemplo, já disse que, no caso da venda em Bolsa, poderá estar interessado.

A decisão sobre o modelo de venda só será tomada depois de recebidas e analisadas as propostas finais pelo Novo Banco. O tempo de análise, apurou o Dinheiro Vivo, depende da natureza e da complexidade das propostas.

Se as ofertas entregues forem muito diversas e compostas por vários elementos a equipa liderada por Sérgio Monteiro, que está a conduzir o processo de venda, demorará mais a decidir como e a quem vender. Mas se o conteúdo for simples e todos apresentarem propostas semelhantes então a decisão poderá ser tomada em poucos dias, dependendo também dos contactos com as autoridades europeias, nomeadamente o Banco Central Europeu (BCE), que supervisiona o Novo Banco e terá uma palavra a dizer.

A expectativa é que a escolha do modelo de venda e do comprador esteja fechada até ao final do ano, cumprindo o calendário definido. O objetivo inicial era ter o modelo de venda escolhido no verão mas a complexidade e natureza diversa das propostas atrasou a decisão para depois do verão.

O prazo para a entrega final das propostas foi novamente alargado para que os interessados pudessem melhorar as suas propostas – que estão muito abaixo dos 4,9 mil milhões de euros que o Fundo de Resolução injetou no Novo Banco – e para que o BCP e o BPI pudessem estabilizar as suas bases acionistas.

O objetivo do Governo é conseguir o maior encaixe possível com a venda, penalizando o menos possível os contribuintes, já que do bolo injetado pelo Fundo de Resolução 3,9 mil milhões de euros são dinheiro público. O primeiro-ministro António Costa acompanha de perto o processo e não excluiu nenhuma possibilidade para o banco de transição, nem sequer a nacionalização.

Se o Novo Banco não for vendido até ao final do ano terá de avançar com uma redução de mais 500 trabalhadores, mesmo depois do presidente do banco, António Ramalho, ter dito no Parlamento que o plano de reestruturação estava concluído.

A decisão não é nova: o Banco de Portugal já tinha avisado que um atraso na venda obrigaria a uma reestruturação mais profunda e à redução de mais trabalhadores. E o ministro das Finanças, Mário Centeno, admitiu, numa carta enviada a Bruxelas que se o Novo Banco não estiver vendido até agosto de 2017 avançará para “liquidação ordeira”.

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