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BCE. “Os bancos estão mais robustos do que estavam há dois anos”

Danièle Nouy, presidente do conselho de supervisão do BCE.
Fotografia: Martin Leissl/Bloomberg
Danièle Nouy, presidente do conselho de supervisão do BCE. Fotografia: Martin Leissl/Bloomberg

Danièle Nouy, responsável de supervisão do Banco Central Europeu, diz que ainda há muitos desafios, incluindo o problema do crédito malparado.

Apesar das melhorias do setor bancário nos últimos dois anos ainda há muitos desafios a enfrentar, sobretudo no que diz respeito a novos modelos de negócio e relativamente ao crédito malparado, acredita Danièle Nouy, presidente do Mecanismo Único de Supervisão do Banco Central Europeu (BCE) em entrevista publicada no site da instituição a propósito do mais recente relatório de supervisão.

“Nos últimos dois anos temos visto os bancos europeus a enfrentar os riscos com mais força, embora uns o façam mais que outros. Os bancos estão mais robustos do que estavam há dois anos”, diz Danièle Nouy.

“Contudo, ainda há muito por fazer e os bancos enfrentam muitos desafios, incluindo o legado dos ativos, a concorrência sem ser de bancos, novas regras regulatórias e um crescimento económico lento”, acrescenta a responsável, que aponta que os bancos se devem focar em três vetores para ultrapassar os desafios.

“Têm de endereçar e, se necessário, repensar o modelo de negócio para se manterem rentáveis. Têm de endereçar o risco de crédito, especialmente do malparado e o risco potencial de concentrações em setores como o imobiliário ou o exportador. E, por fim, têm de melhorar a gestão de risco, incluindo o modelo de atribuição de crédito e os riscos do mercado.”

Para melhorar a rentabilidade os bancos podem aumentar a eficiência para reduzir custos. A digitalização pode ser uma enorme oportunidade para desenvolver novos produtos ou encontrar novas fontes de receita, exemplifica a responsável do BCE, embora frise que o papel do banco central não é definir estratégias.

“A supervisão ajuda a tornar os bancos mais estáveis e crises menos prováveis”, diz Nouy. “Se um banco tiver problemas o mecanismo de resolução e as novas regras de resgate limitam o recurso ao dinheiro dos contribuintes”, frisa.

A nível regulatório, a discussão está em torno do Basileia III, que define as regras para melhorar a capacidade do setor bancário em absorver choques económicos e financeiros, melhorar a gestão de risco e de governação e fortalecer a transparência dos bancos, diz Sabine Lautenschläger, membro da administração do BCE. “Estamos a trabalhar com os reguladores nacionais”, diz a responsável.

O BCE está a trabalhar ao nível da transparência, nomeadamente na interação direta com os bancos e também na comunicação com outros stakeholders e com o público em geral, envolvendo associações bancária, participantes de mercado, comités económicos e a comunicação social.

 

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