Futuro da Banca

Itália. Governo prepara injecção de dois mil milhões no Monte dei Paschi

Fotografia: Stefano Rellandini/Reuters
Fotografia: Stefano Rellandini/Reuters

Segundo a Reuters injecção aumentaria participação do Estado de 4% para 40%..

O governo italiano está a preparar uma injeção de 2 mil milhões de euros de dinheiro público no banco Monte dei Paschi di Siena, para responder às dificuldades da instituição em captar investimento privado depois da incerteza política que surgiu no país com a demissão do primeiro-ministro. O aumento de capital levaria, na prática, à nacionalização do banco italiano, com o Estado a ficar com 40% do capital.

Matteo Renzi demitiu-se na segunda-feira, depois do referendo realizado ter chumbado a proposta de revisão constitucional, trazendo incerteza sobre o futuro de Itália. O próximo problema pode ser o setor bancário, a começar pelo Monte dei Paschi, o terceiro maior banco italiano mas cujo malparado ultrapassa os 27 mil milhões de euros e que está a ser alvo de um plano para um aumento de capital de cinco mil milhões de euros junto de investidores privados até ao final do ano, segundo o acordado com o BCE. A imprensa já noticiou que está a ser preparado um plano B caso esta angariação de capital falhe e este passa por um resgate.

Leia mais: O que se segue para Itália?

A incerteza política, contudo, pode dificultar a captação de investidores – o interesse do fundo soberano do Qatar, por exemplo, já arrefeceu – e o governo italiano estará assim a preparar um aumento de capital convertível em ações, aumentando a participação dos atuais 4% para 40%, segundo a Reuters.

O Monte dei Paschi já conseguiu angariar cerca de mil milhões de euros numa operação de troca de dívida por ações e restarão dois mil milhões de euros que a entidade teria de captar junto de investidores privados. A injeção de capital público poderá dar o impulso necessário à operação e criar a estabilidade necessária para atrair os fundos privados e resolver os problemas mais urgentes do banco que, em julho, chumbou os testes de stress do BCE.

A ideia é que o Governo italiano fique com dívida de cerca de 40 mil investidores particulares pelo seu valor nominal, para que estes não sofram perdas, mas a operação precisa de luz verde de Bruxelas para não ser considerada ajuda de Estado – à semelhança do plano de recapitalização da CGD, que também prevê uma injeção de capital público.

Esta solução permitiria a Itália resolver o problema mais urgente do setor financeiro, que está a levantar preocupações um pouco por toda a Europa devido ao risco de contágio nos países periféricos, diz a Reuters. Itália já veio dizer que a sua banca não precisa de um resgate (como fez Espanha) e que os problemas de solvência se concentram em operações específicas.

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