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BPI conta com apoio do Caixabank para crescer mesmo sem Angola

O CEO do BPI, Fernando Ulrich (E), acompanhado pelo presidente do Conselho de Administração, Artur Santos Silva. (Foto: FERNANDO VELUDO/LUSA)
O CEO do BPI, Fernando Ulrich (E), acompanhado pelo presidente do Conselho de Administração, Artur Santos Silva. (Foto: FERNANDO VELUDO/LUSA)

Lucros cresceram 32% em 2016, o último ano em que é acionista maioritário do BFA. EBanco quer ser um player ativo em aquisições

O BPI acredita que o sucesso da Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pelo Caixabank, que ficará com a quase totalidade do capital, vai ajudar o banco a melhorar a sua atividade, mesmo com um menor peso de Angola, onde é acionista do BFA.

Na apresentação de resultados anuais do banco, onde divulgou um crescimento de 32,5% dos lucros para 313,2 milhões de euros, Fernando Ulrich, presidente-executivo, garantiu que “o BPI sem BFA está bem e recomenda-se. Os nossos concorrentes que se cuidem”. O presidente do banco mostrou-se despreocupado com o futuro da instituição, assegurando que a melhoria da atividade económica “ajuda a atividade bancária” e que os esforços que têm vindo a ser desenvolvidos no digital e na redução de custos – desde 2007 foram cortados cerca de 2200 postos de trabalho e os custos com pessoal caíram 1,5% em 2016 – também terão os seus frutos.

E não só: “comum acionista como o Caixabank, mais comprometido ainda com o BPI, o BPI só pode melhorar”, garantiu, dizendo ainda que o BPI até se pode tornar num ‘player’ mais ativo no que diz respeito a aquisições. BPI e Caixabank “têm uma experiência positiva com a consolidação. E todos sabemos que há pressões sobre a rentabilidade no setor bancário e a consolidação pode criar sinergias e valor”. Assim, com um acionista como o Caixabank, o BPI “pode ser um player mais ativo nesse domínio”, embora tenha garantido em seguida que “não estamos a olhar para nada”.

Fernando Ulrich, contudo, não quis fazer comentários sobre o processo de venda do Novo Banco, lembrando que foi assinado um acordo de confidencialidade. Nem sobre as soluções para o crédito malparado que têm vindo a ser discutidas, desde a criação de um banco mau ao interesse de um consórcio de bancos internacionais em comprar cerca de 15 mil milhões destes créditos, como noticiou o Público esta semana. “O diabo está nos detalhes”, avisou, escusando-se a comentar.

O BPI destaca que as imparidades e outras provisões líquidas foiram de 36,5 milhões de euros devido ao impacto de 18,5 milhões de euros de obrigações da Oi. Mas ao rácio de cobertura das imparidades é de 83%, referiu o presidente do BPI. Do ponto de vista operacional a atividade no mercado angolano continua a ter um peso forte mas foi apenas de 166 milhões de euros porque o BFA foi classificado como operação descontinuada: o BPI teve de vender 2% do capital para deixar de ser acionista maioritário e respeitar as exigências do BCE relativas à exposição excessiva a Angola.

A atividade doméstica contribuiu em 58% para os lucros do BPI e a carteira de crédito registou apenas uma diminuição ligeira, de 0,2%, com crescimento no segmento empresarial e no consumo. O produto bancário do BPI registou um crescimento de 7,4% para 715 milhões de euros na atividade doméstica e a margem financeira cresceu 14,3%, com as comissões a aumentar 1,5%.

Fernando Ulrich não quis avançar grandes detalhes sobre a OPA do Caixabank que decorre até 7 de fevereiro, mas esclareceu que a redução de 900 postos de trabalho referida pelo catalão no prospecto da OPA “provavelmente não é diferente daquilo que o BPI faria se continuasse sem o Caixabank”, lembrando ainda que o banco catalão “não quer fechar balcões”. O Caixabank “é um banco que gosta de balcões e da proximidade com os clientes. E se calhar um BPI controlado pelo Caixabank vai ser mais comedido nessa frente do que num BPI em que esta gestão estava à solta”, rematou.

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