BCP

Acionistas já injetaram 5,77 mil milhões no BCP desde 2008

O presidente do BCP, Nuno Amado. Fotografia: António Cotrim / Lusa
O presidente do BCP, Nuno Amado. Fotografia: António Cotrim / Lusa

BCP volta a pedir capital a acionistas, pretendendo captar mais 1331 milhões de euros para reforçar rácios e balanço e reembolsar 700 milhões de Cocos

O BCP voltou ontem a pedir capital aos acionistas, pretendendo captar mais 1331 milhões de euros para reforçar rácios e o seu balanço e reembolsar os 700 milhões em Cocos ainda detidos pelo Estado.

Desde 2008, esta será a sexta operação do género realizada pelo banco, período durante o qual pediu 5,77 mil milhões de euros aos investidores já contando com o pedido de ontem. No mesmo período, os títulos do BCP desvalorizaram 99%.

A operação ontem anunciada implica um reforço de capitais do Millennium maior que a capitalização bolsista atual do banco, pouco abaixo dos mil milhões de euros, e significará uma diluição agressiva a qualquer acionista que decida não acompanhar o aumento de capital.

Mas se uns vão perder peso, a Fosun já garantiu que vai reforçar a fatia que domina do banco: a operação vai ser aproveitada pelos chineses para subir a participação no Millennium de 16,67% para os 30%, novo máximo permitido pelos estatutos, não sendo ainda certo que a petrolífera angolana Sonangol, hoje a segunda maior acionista do banco, acompanhe os chineses.

Segundo as informações dadas pelo BCP ontem à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Fosun “apresentou já uma ordem irrevogável de subscrição (…) que, caso seja integralmente satisfeita, lhe permitirá passar a deter 30% do capital do BCP após a oferta”.

A confirmar-se este avanço da Fosun, o grupo chinês deve investir 400 milhões de euros neste aumento de capital que, juntando aos 175 milhões já pagos em novembro, elevará o investimento chinês no BCP até aos 577 milhões – ou seja, 10% dos 5,77 mil milhões pedidos pelo banco desde 2008.

Ler também: Bancos exigiram 11,2 mil milhões aos acionistas desde 2007

Quanto à Sonangol, e apesar de já ter sido autorizada pelo BCE a aumentar no BCP até 30%, a verdade é que ainda não informaram o banco “a respeito de qualquer decisão (…) nomeadamente quanto a exercer, alienar e/ou adquirir quaisquer direitos de subscrição”.

A operação e a supervisão

Segundo o documento entregue à CMVM, o objetivo do aumento de capital passa por “reembolsar integralmente” os CoCos e robustecer o balanço do BCP, devendo avançar “no mais breve prazo”.

A emissão anunciada passa pela multiplicação por 15 do total de ações do BCP existentes: cada acionista do banco terá direito a comprar 15 novas ações por cada ação que já detém ou, em alternativa, vender o direito sobre as novas ações. Cada nova ação custará 9,7 cêntimos, um desconto de 38,6%.

Apesar da sensibilidade do anúncio, que terá reflexos na cotação do banco, a verdade é que o mesmo só foi confirmado oficialmente três horas depois da primeira notícia sobre a operação, que saiu pouco antes do fecho da bolsa provocando alguma oscilação no valor do banco, com a negociação de quase 450 mil títulos em minutos.

Considerando que, e segundo o BCP, o preço do aumento de capital foi “calculado com base no preço de fecho” na sessão de ontem, este “preço de fecho” pode ter sido, mesmo que ligeiramente, influenciado pela fuga de informação, tendo aliás a CMVM pedido esclarecimentos ao BCP ainda ontem.

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