CGD

António Costa evita falar de despedimentos na CGD

O primeiro-ministro, António Costa. Fotografia: Tiago Petinga/Lusa
O primeiro-ministro, António Costa. Fotografia: Tiago Petinga/Lusa

Primeiro-ministro confirma que CGD vai reavaliar ativos internacionais mas não fala de saídas do banco público. Pede às autoridades que atuem

António Costa evitou abordar os impactos que a reestruturação da Caixa Geral de Depósitos terá ao nível dos recursos humanos do banco público no debate quinzenal desta tarde. Confrontado com as notícias que falam em até 2000 saídas da CGD por Jerónimo de Sousa, o primeiro-ministro optou não responder diretamente. O governante admitiu, porém, que os ativos internacionais detidos pela Caixa irão ser reavaliados em breve.

“A recapitalização deve ter como objetivo o reforço do banco público e do seu papel na economia, não deve servir para enfraquecer, reduzir e despedir. Não pode ser feita para satisfazer imposições da Comissão Europeia ou do BCE”, disse o líder comunista. “Se a recapitalização obrigar a uma reestruturação, que essa não seja orientada pelas autoridades europeias para criar negócio para a banca privada à custa do enfraquecimento da CGD.”

Jerónimo de Sousa questionou então sobre as perspetivas do governo para a recapitalização e plano de reestruturação da Caixa Geral de Depósitos e o impacto deste ao nível dos empregos e dos ativos detidos pelo banco público.

O primeiro-ministro tomou então da palavra para responder ao deputado do PCP, repetindo que a função da CGD deve ser o de servir como um pilar da estabilidade do sistema financeiro. Revelou então que “a carta de missão que está a ser preparada” para o banco público “reforça o papel que a CGD tem de ter no apoio a PME e um contributo importante para o financiamento da economia e o reforço do tecido empresarial”.

Já em relação à reestruturação, António Costa lembrou que há já um plano “em curso” e um outro plano que terá de ser encarado. “Mas este plano não pode enfraquecer a CGD, deve antes ser orientado para reforçar a Caixa”, abrindo de seguida um pouco do véu sobre o futuro plano: “A CGD deve estudar a sua posição internacional, quais os mercados relevantes em que se justifica estar e quais é que não se justifica.”

Quanto ao impacto nos recursos humanos desta reestruturação, Costa nada disse. Foi preciso esperar pela repetição da mesma questão por parte de vários deputados até o primeiro-ministro aceitar abordar o tema, garantindo que, “do que conheço do plano de reestruturação”, não estão previstos despedimentos na CGD. Mas vão haver saídas.

“O plano não prevê despedimentos, prevê sim a saída por reformas”, num processo que será integrado “na rotação normal” dos quadros, tal como tem acontecido na maioria dos bancos, que têm procurado reduzir pessoal através de pré-reformas ou acordos de rescisão.

“Investiguem!”

Ainda na intervenção de Jerónimo de Sousa, o comunista aproveitou para criticar as “opções tomadas” pelas sucessivas administrações da CGD dos “vários governos PS e PSD” que tiveram a tutela do banco, lembrando que “muitos dos problemas” do banco de hoje resultam do seu envolvimento “em negócios ruinosos”, sem que os anteriores governos, tanto do PS como do PSD, alguma vez tenham travado esses mesmos negócios.

Jerónimo de Sousa deu alguns exemplos, lembrando os “créditos ao BPN, os empréstimos aos acionistas do BCP para comprarem ações do próprio banco”, a “concessão de créditos sem garantias ou avaliação de risco” e, por fim, “a venda de ativos valiosos, entregues aos privados, como fez com a Caixa Seguros, por decisão do PSD/CDS”. E rematou: “Tudo isto tem de ser apurado mas não pode ser utilizado para por em causa a importância da CGD como banco público.”

Face a estas acusações, António Costa repetiu a posição já ontem tomada pelo Ministério das Finanças: as autoridades competentes que investiguem.

“Sobre as atividades passadas, o governo confia que as autoridades de supervisão ou judiciárias tenham tomado providencias se for esse o caso”, já que “não compete ao governo de hoje olhar para os factos passados”. E reforçou: “É extraordinário verificar como aqueles que estiveram no governo nos últimos quatro anos de repente têm tantas duvidas sobre o banco de que foram responsáveis”.

António Costa lembrou de seguida que as autoridades de supervisão “são independentes” e que as judiciárias “são autónomas”, fazendo votos que “cumpram as suas missões”.

Atualizado às 16h52, com declarações de António Costa sobre despedimentos.

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