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APB: Rácio de cobertura do malparado da banca em Portugal está em linha com UE

Fernando Faria de Oliveira. Fotografia: Diana Quintela/Global Imagens
Fernando Faria de Oliveira. Fotografia: Diana Quintela/Global Imagens

Setor como um todo apenas conseguiu reduzir cost-to-income de 60% para 59,8%, tendo visto o rácio de solidez cair de 12,4% para 11,4%

A Associação Portuguesa de Bancos (APB) divulgou esta segunda-feira alguns dados consolidados sobre a atividade da banca presente em Portugal ao longo de 2016, ano que ficou marcado por um novo recorde no total de depósitos de particulares confiados à banca, batido em setembro.

Apesar dos níveis elevados de crédito malparado ainda a contaminar os balanços das instituições, a APB realça que no final do ano passado “a cobertura do rácio de NPL [non performing loans] em Portugal está globalmente em linha com a média da Área do Euro, tendo aumentado de 40,8% em finais de 2015 para 45% em finais de 2016″. Este aumento da cobertura dos créditos tóxicos surge apesar de Portugal ter hoje os terceiros piores bancos em termos de crédito mal concedido – com 16,4% de ativos não produtivos, bem acima dos 4,4% de média na UE.

Em termos de resultados, os dados compilados pela APB referentes quase na integra à totalidade dos bancos que operam em Portugal, mostram que rendibilidade destas instituições persistiu em terreno negativo, “tendo sido penalizado pelo montante substancial de imparidades registado no quarto trimestre, em conjunto com o decréscimo dos resultados com operações financeiras”.

rendibilidadeO ano transato ficou igualmente marcado pela continuação da descida das taxas de juros médias nos novos empréstimos, em queda desde o início de 2012, “tendo atingido o nível mais baixo em dezembro de 2016”, salienta a Associação. Se em novembro de 2011, a taxa de juro média para novos empréstimos a empresas era de 6,9%, em dezembro último encontrava-se em 2,8% – ainda assim bastante acima da média europeia, de 1,6%.

Mas apesar da banca estar a cobrar acima dos seus pares europeus, a verdade é que isso não é visível se olharmos para a evolução dos resultados da operação dos bancos. Além da rentabilidade continuar negativa, também os restantes indicadores operacionais persistem sem recuperar. “Desde 2013, verificou-se uma relativa estabilização ao nível da margem financeira, e uma recuperação ao nível do rácio cost-to-income. Contudo, as imparidades continuaram a afetar a rendibilidade do sector.”

Quanto ao cost-to-income, os dados publicados pela APB mostram que de 2015 para 2016 os ganhos do sector foram pouco relevantes, com o peso dos custos nas receitas a recuar de 60% para 59,8%, uma variação de 0,2 pontos, muito abaixo do conseguido, por exemplo, de 2014 para 2015, quando o cost-to-income recuou de 65,8% para 60%. Esta desaceleração pode significar que os bancos já esgotaram as principais soluções para conter custos.

Já em relação à solidez do setor o ano de 2016 também não foi de grande memória, já que apesar da subida do Core Tier 1, de 11,5% para 12,3% nas contas consolidados do setor, no que toca às novas regras de cálculo para este “capital de primeira qualidade”, a evolução foi a oposta: O Common Equity Tier 1 recuou de 12,4% em 2015 para 11,4% em 2016.

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