BPI

Artur Santos Silva: Situação com CaixaBank e Santoro “vai resolver-se”

O presidente do BPI, Santos Silva falava à margem de um almoço organizado pela Associação Cristã de Empresários e Gestores.

O presidente de conselho de administração do BPI, Artur Santos Silva, mostrou-se esta terça-feira confiante num acordo entre os dois principais acionistas do banco, o Caixabank e a Santoro da empresária Isabel dos Santos.

O assunto “vai resolver-se”, respondeu o gestor aos jornalistas esta tarde, quando faltam cinco dias para terminar o prazo para os dois acionistas chegarem a acordo, conforme foi determinado pelo Banco Central Europeu (BCE).

Santos Silva, que falava à margem de um almoço organizado pela associação cristã de empresários e gestores, referiu também “a obra extraordinária” do Banco de Fomento Angola (BFA), “que infelizmente o BCE não nos deixa continuar”.

Sendo dono de 50,1% do Banco de Fomento de Angola (BFA), e acumulando 4,9 mil milhões de euros em crédito concedido ao Estado angolano e ao Banco Nacional de Angola, o excesso de exposição do BPI a este país africano foi o que levou à imposição de um prazo por parte do BCE para se resolver o problema, caso contrário será alvo de medidas corretivas – Angola faz parte da lista de países cuja supervisão não é equivalente às práticas da zona euro, daí pesar mais para cálculos de rácios de capital.

Além disso, a economia angolana está em dificuldades, o que aumenta ainda mais o risco da exposição. O problema é que cada um dos acionistas do BPI tem uma ideia própria sobre como reduzir a exposição do BPI a Angola – a Santoro quer ficar com BFA e o CaixaBank queria separar os ativos com “risco Angola” para uma nova entidade, retirando o fardo do BPI.

Elogio a Ulrich

Sobre o futuro do banco, o chairman admitiu que foi o autor da proposta de estatutos que, ao eliminar o limite de idade de nomeação de 62 anos, permite estender o mandato de Fernando Ulrich, atualmente com 63, como presidente da comissão executiva do BPI.

“A iniciativa foi minha. Fernando Ulrich tem um percurso extraordinário à frente do BPI”, elogiou o também presidente do conselho de administração da Fundação Calouste Gulbenkian.

Artur Santos Silva recordou ainda, durante a intervenção, que o banco brasileiro Itaú, que saiu em 2012 do capital do banco português porque tinha “receio que Portugal se transformasse numa nova Grécia. Tive muita pena”, lamentou.

Foi a partir da saída do Itaú que se formou a atual composição de forças do BPI: o CaixaBank detém 44,1% das ações do BPI, porém, dadas as limitações estatutárias, só pode votar com 20%.

Já Isabel dos Santos, dona da Santoro, acumula 18,58% do banco por via da holding, sendo-lhe imputados mais 2,28% do capital através do BIC. Graças aos estatutos do BPI, esta posição da empresária angolana, de cerca de metade do grupo catalão, dá-lhe idêntico poder de fogo no banco.

Estrutura de capital que deverá conhecer alterações nos próximos dias. Se isso não acontecer, o BCE pode aplicar uma multa diária de 161 mil euros, salvo se a instituição liderada por Mario Draghi estender o prazo.

Notícia atualizada às 16h00 com mais informação

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