As 15 frases-choque de Ricardo Salgado

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O Jornal de Negócios conseguiu hoje o exclusivo do ano: a entrevista com o banqueiro mais comentado dos últimos meses e que está à frente de um banco, o BES, muito fragilizado e de um grupo assolado por dívidas, além de pressionado pelos reguladores.

A entrevista tem oito páginas, mas aqui fica um resumo de 15 frases-choque que confirmam, agora de vez, a queda de Ricardo Salgado, o que não significa o seu fim. A liderança do BES, essa sim, tem os dias contados. Só falta saber quando sai e o sangue que ainda vai correr na família Espírito Santo.

1 – “[Não acha que se devia demitir?] Não, Porquê? Não acho. A minha função é 100% no sector financeiro. Eu sei que vocês todos viram ao longo dos anos que eu era o líder do grupo, mas eu sou responsável pelo sector financeiro.”

2 – “A crise bateu e bateu forte no grupo. (…) E nós cometemos erros, todos nós cometemos erros e eu assumo que o grupo cometeu erros, mas erros provocados pela nossa estrutura e organização no topo, à qual deveríamos ter prestado mais atenção.”

3 – “[Acha que houve dolo?] Houve uma negligência grave. Dolo acho que não. E uma coisa que a KPMG apurou é que também não houve desvios de dinheiros.”

4 – “Eu assumo que sou também responsável. Faço parte de um grupo familiar. E os cinco grupos familiares em torno do ESI (Espírito Santo Internacional), todos nós somos responsáveis e sou solidário com o grupo com certeza. Agora que o posso dizer é que a minha vida começa às 8h30 no banco e acaba às 10 da noite no banco.”

5 – “Eu não sei quais foram os documentos que ele [Pedro Queiroz Pereira, presidente da Portucel] entregou ao Banco de Portugal. Li na imprensa que ele terá entregue, eventualmente, alguns documentos ao Banco de Portugal. Mas eu gostava de não ter de comentar o sr. Pedro Queiroz Pereira.”

6 – “O Zé Maria [o primo que o desafiou] está sempre razoável, está sempre na sua, no banco de investimento. (,,,) Acho que as pessoas têm o direito a ter ambições. É normal que essas ambições se manifestem. Tivemos oportunidade de falar sobre isso nessa altura. [A questão ficou sanada?] Julgo que sim.”

7 – “Eu nunca abandonei o meu mandato, apesar de haver pessoas que gostariam que eu o fizesse.”

8 – “Sabe quantos anos eu vou fazer no dia 25 de junho? 70, exatamente. Portanto, esta casa [BES] vai precisar de uma equipa inteligente, vigorosa, enérgica para seguir em frente dentro daquilo que é a união bancária europeia.”

9 – “Fui acusado de muitas coisas, mas nunca fui verdadeiramente acusado de nada. E sobre a parte fiscal [o facto de ter repatriado oito milhões de euros não declarados ao fisco] já dei todas as explicações possíveis e imaginárias. Mas não querem saber. Sistematicamente vêm com a mesma lengalenga.”

10 – “Não posso esconder que é uma coisa terrível sentir que há uma espécie de operação cirúrgica para denegrir o meu nome há dois anos ou há um ano e meio a esta parte. Eu não vou atribuir a ninguém, mas há certamente pessoas que estão interessadas nisso.”

11 – “Porque eu não fui acusado de nada, não sou arguido de nada. Já prestei todas as declarações às autoridades, quando foi caso disso (…). Eu vivi 17 anos fora de Portugal, 17 anos fora de Portugal, acumulei capital no exterior. Porque é que só meu RERT [plano especial de repatriação de capitais que limpou possíveis consequências penais] veio para a opinião pública? Porquê?”

12 – “Eu sempre trabalhei em prol do grupo e do BES. Pode ter a certeza disso. E nunca aceitei remuneração nenhuma de quem quer que fosse. Não tenho sociedade nenhuma com ninguém, Nada!”

13 – “O presidente José Eduardo dos Santos teve uma grande atenção, com certeza, na decisão [de ser dada uma garantia do Estado angolano que cobre de 70% do crédito do BESA]. Eu estou reconhecido porque também foi consideração em relação ao Grupo Espírito Santo. (…) A garantia é inequívoca.”

14 – “Esse crédito foi conhecido pela gestão anterior. E a gestão anterior [Álvaro Sobrinho] foi mudada porque as coisas não estavam a correr bem. (…) Angola está num estado de desenvolvimento especial, no qual a recuperação do crédito é mais lenta.”

15 – “[A parceria com o Crédit Agricole pode acabar?] Temos estados de alma todos os dias, mas temos de ser realistas. A vida é assim, as coisas acontecem e depois acabam, tudo tem um princípio e um fim. Temos de estar preparados para isso (…) Tenho muita pena que o Crédit tenha reduzido a participação, mas percebo perfeitamente a atitude.”

Leia também: Irregularidades na Espírito Santo Internacional chegaram à 1º página do Wall Street Journal

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