EUA

O Deutsche Bank e o problema de ser credor do presidente dos EUA

Donald J. Trump, Presidente dos EUA. Fotografia: EPA/KEVIN DIETSCH
Donald J. Trump, Presidente dos EUA. Fotografia: EPA/KEVIN DIETSCH

O Deutsche Bank equacionou reestruturar os empréstimos concedidos a empresas de Trump devido à eleição do empresário para a Casa Branca.

O Deutsche Bank era um dos grandes, e poucos, financiadores das empresas de Trump. As entidades relacionadas com o presidente devem 340 milhões de dólares (cerca de 300 milhões de euros) á instituição germânica. E o banco teve uma grande dor de cabeça quando o empresário venceu, contra as previsões das sondagens, as eleições de 2016. O dilema era ir atrás dos ativos do líder da maior potência mundial para cobrar a dívida ou reestruturar o empréstimo para que o vencimento fosse alargado para 2025, depois de um eventual segundo mandato de Trump.

De acordo com a Bloomberg, a questão da reestruturação esteve em cima de mesa e foi discutida pelo antigo presidente executivo do banco alemão, John Cryan. As fontes citadas pela agência dizem que o problema era mais de relações públicas do que devido ao receio de algum tipo de incumprimento.

A decisão do banco alemão acabaria por ser de manter os financiamentos, com maturidades em 2023 e 2024. Mas o Deutsche Bank acabaria por deliberar não destinar mais dinheiro para empresas relacionadas com a família Trump, o que impediu o financiamento de um resort de golfe na Escócia durante a campanha para as Presidenciais americanas, segundo o The New York Times. O banco terá mexido naqueles empréstimos apenas para retirar da equação as garantias pessoais de Trump.

O Deutsche Bank era dos poucos bancos a financiar as empresas de Trump depois das insolvências de entidades relacionadas com o empresário. Nos quatro anos anteriores às eleições, o banco alemão financiou Trump em cerca de 620 milhões de dólares enquanto a maior parte das instituições financeiras americanas tinha a torneira fechada com receio de novos incumprimentos.

Além do potencial problema de relações públicas em cobrar dívidas ao inquilino da Casa Branca, há outro tipo de risco reputacional: o do conflito de interesses. É que Trump nomeia os responsáveis por tomar decisões relacionadas com a atuação do Deutsche Bank nos EUA. Esse problema aumenta caso o banco tenha tido negócios pouco claros na Rússia e o presidente sofra alegações de ligações a Moscovo.

Agora, no congresso americano, os democratas querem passar a pente fino a relação de duas décadas entre Trump e o Deutsche Bank, que já foi multado por esquemas de lavagem de dinheiro a envolver a Rússia. Pagou 630 milhões de dólares às autoridades americanas em 2017 para fechar essa investigação.

Os democratas exigem aceder aos registos bancários de Trump no âmbito da investigação sobre um eventual conluio entre o presidente americano e Moscovo. Adam Schiff, o novo presidente do comité dos serviços secretos do congresso, disse, citado pela New Yorker, que “a preocupação sobre o Deutsche Bank é que tem uma história de lavagem de dinheiro russo. E, aparentemente, era o único banco com vontade de fazer negócio com a Organização Trump”.

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