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Aumentos de capital na banca: A “destruição colossal” de 35 mil milhões de euros

Fernando Ulrich, presidente do BPI
Fernando Ulrich, presidente do BPI

Levantamento do BPI calculou todo o dinheiro pedido pela banca aos acionistas desde 2001: Bancos pediram 42,4 mil milhões e valem hoje 8,4 mil milhões

Entre 2001 e 2017, os maiores bancos presentes em Portugal pediram um total de 42,4 mil milhões de euros aos seus acionistas. Em troca, pagaram 6,8 mil milhões de euros em dividendos, ou seja, 16% do dinheiro que precisaram. O “prejuízo” para os acionistas foi assim de 35,5 mil milhões.

Estes números foram esta tarde apresentados pelo BPI, que procedeu a um levantamento em linha com aquele já antes feito pelo Dinheiro Vivo, mas englobando um prazo mais alargado, ou seja recuperando todos os aumentos de capital solicitados pelos maiores bancos em Portugal desde 2001.

O levantamento hoje apresentado inclui os números relativos ao BES/Novo Banco, Millennium bcp, Caixa Geral de Depósitos, BPN, Banif e o próprio BPI que, curiosamente, é o único que sai bem desta fotografia.

De acordo com os cálculos do banco presidido por Fernando Ulrich, com base em dados disponíveis publicamente, BES/Novo Banco pediram 13,1 mil milhões aos acionistas desde 2001, o BCP pouco mais de 9,4 mil milhões, CGD perto de 8,5 mil milhões, BPN pouco mais de 5,8 mil milhões e o Banif precisou de 4,7 mil milhões. Já o BPI, recorreu aos acionistas para reforçar-se em 853 milhões de euros em todo o período.

Em sentido inverso, ou seja, em termos de dividendos pagos pelos bancos aos acionistas, falamos então de números de uma ordem de grandeza bastante mais reduzida: desde 2001, o BES/NB pagou 1400 milhões (10,6% do que pediu), o BCP pouco mais de 1830 milhões (19,5%), o BPN menos de 130 milhões (2,2%) e o Banif de 181 milhões (3,8%). Já a Caixa Geral de Depósitos apresenta o valor mais elevado de dividendos, 2 483 milhões de euros, o equivalente a 29% da verba solicitada.

De todo este conjunto de bancos, o único que apresenta dividendos minimamente aproximados do valor solicitado aos acionistas ao longo dos anos foi precisamente o BPI, tendo pago o equivalente a 94% do valor pedido.

De acordo com a leitura de Fernando Ulrich, os dados apresentados provam que “os bancos não são todos iguais” e que os últimos anos ficaram marcados por uma “destruição de capital acionista colossal, equivalente a 19% do PIB de 2016”. Mas além de destruir capital, todo este valor consumido pelos bancos representa igualmente uma “distorção brutal da concorrência” e “distorção brutal na alocação de recursos” na economia.

“Os grandes sacrificados em vagas sucessivas foram os acionistas dos bancos”, comentou ainda Fernando Ulrich sobre as conclusões do levantamento do BPI, recusando a ideia de que foram os contribuintes quem mais foi chamado para salvar o setor financeiro. “É importante perceber como é que este esforço foi repartido”, sublinhou, lembrando os ganhos do Estado com os CoCos, por exemplo.

Capitalizações Vs. Valor atual? Pior ainda

Se o cenário é mau em termos de comparação com os dividendos pagos, pior fica se olharmos para o valor atual dos bancos e como este compara com o dinheiro que os bancos precisaram nos últimos 17 anos.

Entre os bancos que nos últimos pediram 42,4 mil milhões de euros, dois colapsaram, um está a tentar ser vendido, e os restantes valem hoje 8,4 mil milhões de euros: ou seja, os bancos valem pouco menos de 20% de todo o dinheiro que pediram aos acionistas desde 2001.

Nestas contas, e além do BPN e do Banif, que naturalmente foram avaliados em “zero”, também o BES/NB foi avaliado em “zero”, sobrando assim o BCP, CGD e BPI para somar valores ao valor atual destes bancos. O BCP surge avaliado em 2,4 mil milhões – já que assume a concretização com sucesso do aumento de capital com que o banco vai agora avançar -, a CGD em perto de 4,4 mil milhões e o BPI em 1,65 mil milhões de euros.

Também aqui é o BPI que sai melhor na fotografia: o banco pediu 853 milhões de euros em aumentos de capital desde 2001, valendo hoje 1,65 mil milhões de euros. “Os bancos não são todos iguais”, sublinhou ainda Fernando Ulrich.

A apresentação de este levantamento do BPI surge na véspera do arranque do aumento de capital do Millennium bcp, já que esta quinta-feira, dia 19, os acionistas deste banco começam a decidir se vão atrás do novo aumento de capital do BCP, um dos bancos que mais capital tem consumido dos seus acionistas.

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