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Banca: A furar a quarentena “porque o ‘bicho’ não pega”

(Leonardo Negrão / Global Imagens)
(Leonardo Negrão / Global Imagens)

Uma manhã ocupada numa agência bancária, em Lisboa, que incluiu o atendimento de um cliente que 'furou' a quarentena que estava a cumprir em casa.

A jovem bancária estava ligeiramente agitada. Acabara de atender, no seu exíguo gabinete, um cliente que ‘furou’ a quarentena a que estava sujeito. “Já desinfetei tudo. Que inconsciência!”, Desabafou a funcionária da agência da Caixa Geral de Depósitos (CGD), na Graça, em Lisboa.

O cliente que atendeu estava obrigado a estar de quarentena em casa com a mulher, por esta ter estado em contacto com uma pessoa infetada com o coronavírus. Além de confessar que estava a quebrar a quarentena, o cliente disse à bancária: “não faz mal porque o ‘bicho’ não pega”.

A funcionária da Caixa, visivelmente consternada, faz parte do grupo de muitos bancários que, pelo país fora, continua a atender os clientes bancários. Com uma máscara posta e desinfetante sempre à mão, tem apenas um pequeno separador de acrílico transparente a separá-la do cliente que estiver a atender e com quem troca papéis e documentos.

As agências bancárias mantêm-se abertas em todo o país, apesar da epidemia de coronavírus, que já provocou 60 vítimas mortais em Portugal. Tal como em outros serviços que continuam a fazer atendimento presencial, o risco e o medo estão presentes.

Na manhã desta quinta-feira, numa das agências da CGD, em Lisboa, os clientes faziam fila para entrar. A maior parte dos clientes eram idosos, que, com caderneta na mão, aguardavam para poder entrar no balcão. Mas também havia clientes mais novos, com e sem máscara.

Os clientes aguardam para entrar no átrio do banco, onde se situam as caixas ATM da CGD, que estavam todas ocupadas. Ao todo, estavam seis clientes no pequeno átrio fechado do banco.

Dentro da agência, estavam apenas dois clientes, sendo visível a presença de quatro funcionários do banco.

Já mais calma e bem-disposta, a bancária da CGD explicou, com um sorriso, que a maioria dos serviços prestados pelo banco podem ser executados online. “O banco está a facilitar a vida aos clientes para poderem fazer tudo a partir de casa”, afirmou.

Mesmo nos serviços em que é necessário enviar documentação, o cliente pode fazê-lo por meios digitais, salientou.

Só para os clientes mais idosos ou que não dispõem de acesso ao banco por via remota, é que a ida às agências bancárias é necessária.

Sindicato pediu mais medidas de proteção

Anteontem, o Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) pediu aos bancos “a aplicação de medidas extraordinárias para garantir a segurança dos trabalhadores e evitar a propagação do novo coronavírus”.

O sindicato propôs a adoção de um conjunto de recomendações, numa carta enviada aos conselhos de administração dos bancos e à Associação Portuguesa de Bancos (APB).

Entre as propostas do SNQTB está a recomendação de “encerrar balcões, colocando alguns em quarentena preventiva, nomeadamente em localidades com diversas unidades, durante o tempo que durar o estado de emergência, tal como decorre da necessidade de cumprimento das obrigações legais de assistência a filhos em idade escolar e de teletrabalho, e como medida de prudência e de segurança adicional”.

Também propõe a limitação do “número de elementos das equipas nos balcões, de forma a assegurar o distanciamento físico preventivo entre trabalhadores”.

O “reforço da limpeza e desinfeção dos balcões e demais unidades de atendimento a clientes”, é outra das sugestões.

Algumas agências estão a encerrar para hora de almoço, como as do Novo Banco, para permitir ter menos bancários a trabalhar no balcão e para fazer mais ações de desinfeção no local.

Existem em Portugal cerca de 4.000 agências bancárias e os bancos empregam em torno de 46 mil colaboradores, segundo dados da APB. Além de condicionar a entrada de clientes nos balcões, os bancos colocaram parte das suas equipas em regime de teletrabalho e criaram planos de contingência, que incluiu a separação de equipas por diversas instalações.

A epidemia de coronavírus entrou em fase de mitigação em Portugal. O pico de contágio é esperado para meados de abril. Foi declarado estado de emergência no país e é aconselhado aos cidadãos que permaneçam em casa para travar o contágio.

Já há 60 mortos e 3544 casos de covid-19 em Portugal, segundo dados divulgados hoje no boletim epidemiológico da Direção Geral de Saúde. São mais 549 casos de infeção e 17 vítimas mortais nas últimas 24 horas.

Até ontem, foram detidas 39 pessoas e fechado 649 estabelecimentos por desobediência ao estado de emergência, de acordo com o Ministério da Administração Interna.

Na Europa – que é atualmente o epicentro da epidemia -, há mais de 250 mil casos de infetados diagnosticados.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a epidemia, que teve origem na China, alastrou já a 196 países, causando mais de 18 mil mortos e 417 mil casos confirmados.

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