Banca baixa “spreads” no crédito à habitação para 2,8%

'Spreads' têm vindo a aliviar no crédito à habitação
'Spreads' têm vindo a aliviar no crédito à habitação

Os bancos portugueses estão a baixar os spreads praticados no crédito à habitação. Depois de três anos de subidas , as instituições financeiras estão a ajustar os preços mínimos nos empréstimos da casa, colocando a média nos 2,8%.

Foram já 12 os bancos – CGD, BCP, BES, Santander Totta, Banif, Montepio, Crédito Agrícola, Banco Popular, Barclays, BBVA, BIC, Deutsche Bank – que reduziram os spreads (taxa de juro que se adiciona à Euribor e que, na prática, representa a margem de lucro dos bancos)praticados no crédito à habitação nos últimos meses. Apenas o BPI não mexeu no preçário desde janeiro, porque já o tinha feito. Foi a primeira instituição a ajustar os spreads para valores mais baixos no final do ano passado, mantendo-se ainda com uma das taxas mais competitivas do mercado.

Em média, desde o início do ano, o spread mínimo praticado por 13 bancos em Portugal caiu de 3,38% para 2,84% atualmente.

Não se pode falar numa “guerra” de spreads como a que se verificou em 2006. Nessa altura, praticaram-se valores de 0,29% e até mesmo de 0%, nalguns instituições por um determinado período. Ainda assim, começa a haver, novamente, uma aposta dos bancos no crédito à habitação.

A normalização das condições de acesso ao financiamento, o abrandamento de entradas em incumprimento, o desalavancar dos balanços dos bancos, a par de uma melhoria das condições económicas terão contribuído para abrir espaço ao aliviar dos spreads.

No entanto, não são todos os clientes que beneficiam destes spreads mínimos, mas apenas aqueles que apresentam menor risco, não só em termos de rácio financiamento/garantia como também de taxa de esforço.

Por exemplo, no caso do rácio financiamento/garantia, muitos bancos que noutros tempos chegaram a emprestar 100% do valor da avaliação passaram apenas a conceder 80% do valor, o que implicava ter, pelo menos, 20% do valor da casa para dar de entrada. Além disso, a queda do valor da avaliação das casas também condicionou o acesso ao crédito à habitação nos últimos anos. Mas agora começa a dar alguns sinais de alívio, sobretudo também com o mercado de venda de casas a dar indícios de retoma.

Mas não foram apenas os spreads mínimos que desceram. Os clientes com maior risco, naturalmente, têm acesso a taxas mais elevadas, e também estes poderão sentir um ligeiro alívio. É que aqui os bancos também têm vindo a descer os spreads, que nalguns bancos chegou mesmo a superar os 7%. Enquanto nesses casos a média dos 13 bancos se situava, no início do ano, em 6,3%, o valor agora desceu para 5,58%.

O último banco a alterar os preços praticados nos empréstimos da casa, quer para atuais clientes quer para novos, foi o Barclays. Mesmo estando apontado para sair de Portugal processo que já iniciou, o banco britânico não quis ficar de fora da mais recente aposta da banca no crédito à habitação.

O Barclays, que no início do ano tinha um spread mínimo de 3,35%, baixou para 2,65%. Já o spread máximo desceu de 7,65% para 7,05%.

Os banqueiros já admitiram que a tendência de redução de spreads no crédito à habitação será uma realidade a manter-se. No entanto, também já deixam o alerta de que serão muito mais criteriosos na avaliação do risco dos clientes.

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