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Banca europeia em risco de viver explosão de crédito malparado

Fotografia: Franck Robichon / EPA
Fotografia: Franck Robichon / EPA

Maiores bancos europeus já perderam entre um quinto e um terço do seu valor em bolsa desde 1 de janeiro

Esta quarta-feira as ações do setor bancário viveram um dia de ligeira recuperação em bolsa, puxando um pouco as principais bolsas europeias. Mas mais do que o início de um ciclo de retoma de valor, a recuperação de ontem pouco mais será que um ressalto: a tendência de quedas generalizadas parece que chegou para ficar ao longo de 2016.

O impacto da quebra do petróleo nas empresas e países mais dependentes da venda e exportação do ouro negro, a consequente multiplicação do total de créditos malparados em alguns dos maiores bancos mundiais à conta das dificuldades de liquidez ou financiamento destas mesmas empresas ou países, o arrefecimento chinês e de várias economias emergentes – como a Rússia e o Brasil -, a crise interminável em alguns países…

Tudo isto, dizem os analistas, está a formar sobre a cabeça do setor financeiro mundial uma tempestade perfeita e a começar a concretizar o cenário que já muitos anteviam na viragem de 2015 para 2016.

“Tal como alertámos, este ano parece-se cada vez mais com 2008”, apontava uma análise do Royal Bank of Scotland de 8 de janeiro. E ia (muito) mais longe: “Vendam tudo!”, “Os investidores devem ter medo”, este vai ser “um ano de cataclismo”. Seguiu-se o Société Génerale, que previu uma desvalorização de 75% nas bolsas norte-americanas ao longo de 2016.

Esta semana o “Telegraph” não foi menos suave: “Preparem-se para uma caga caótica de reestruturações de dívidas públicas.”

Ainda no início do ano e antes do RBS ou do SG, já o Banco Mundial tinha avançado com previsão semelhante: O risco de abater-se uma “tempestade perfeita” em 2016 é elevado, avisaram os economistas do Banco Mundial, apontando que Brasil, Rússia, Índia, China e a África do Sul entraram em desaceleração de forma simultânea.

Estas economias foram os principais (únicos?) motores económicos nos últimos anos e quando começaram a gripar, o comércio internacional perdeu o óleo – e vice-versa. À redução do fluxo do comércio internacional, estão a seguir-se as quebras nas condições financeiras de empresas e países, alguns dos quais em situação cada vez mais impossível – veja-se que FMI recomendou este mês que se avançasse com uma reestruturação alargada da dívida pública venezuelana, um país que deverá registar 720% de inflação este ano.

São todos estes impactos e riscos e suas diversas ramificações que se estão a materializar nas cotações dos bancos – e empresas não financeiras também – desde o início do ano, com as quebras acentuadas do início da semana a chamarem a atenção exatamente para isso.

O italiano Unicredit desvalorizou até agora 39% desde 1 de janeiro, quase tanto como o Crédit Suisse (37%) ou o Deutsche Bank, que mesmo com a recuperação de ontem continua 32,6% abaixo do valor com que começou o ano. E o que vemos ao alargar esta análise a todo o setor bancário europeu? O Stoxx 800 Europe Banks já desvalorizou 23% desde 1 de janeiro.

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