banca

Banca melhora principais indicadores mas continua a divergir da UE

António Ramalho (Novo Banco), Luís Pereira Coutinho (Banco Postal), Nuno Amado (BCP) e António Vieira Monteiro (Santander Totta). Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA
António Ramalho (Novo Banco), Luís Pereira Coutinho (Banco Postal), Nuno Amado (BCP) e António Vieira Monteiro (Santander Totta). Fotografia: TIAGO PETINGA/LUSA

Apesar de melhorias no malparado e na solidez, banca em Portugal ficou aquém do ritmo do setor na União Europeia

A banca em Portugal entrou em 2017 com melhorias significativas em alguns dos principais indicadores que medem a saúde do setor. Os níveis de capital subiram e os de malparado recuaram. Mas, apesar do comportamento positivo, este ficou aquém da evolução registada a nível comunitário.

Segundo os dados compilados pela Autoridade Bancária Europeia (EBA, na sigla em inglês), a banca europeia como um todo registou uma melhoria em termos de posição de capital entre março de 2016 e março passado, com o Common Equity Tier 1 (CET1, ou seja, o capital livre do banco que responderá a perdas) a subir 0,7 pontos, de 13,4% para 14,1%.

Esta subida foi suficiente para relativizar as melhorias nos rácios registadas pelo setor em Portugal no mesmo período, já que a banca do país passou de um CET1 médio de 12,1% para 12,6% desde o primeiro trimestre do ano passado. Com um salto de apenas 0,5 pontos, o fosso entre a banca portuguesa e a da UE acabou por crescer, de -1,3 pontos para -1,5 pontos.

E apesar de “todos os países apresentaram um CET1 médio superior a 10%”, como sublinha a EBA, olhando para os países individualmente nota-se que a posição portuguesa até melhorou: se em março de 2016 os bancos do país apresentavam a segunda média mais baixa de CET1, agora apresentam a terceira mais baixa – a Itália persiste na última posição e Portugal trocou com Espanha.

Fonte: EBA, dados relativos ao 1º Trim. 2017

Fonte: EBA, dados relativos ao 1º Trim. 2017

Já olhando em termos desagregados para os maiores bancos em Portugal, nota-se que só dois apresentam um rácio superior ao do país: o BCP, que contava com 13% de CET1 em março de 2017, e o Totta, com 15,3%. Os restantes apresentavam todos níveis de capital abaixo da média, com destaque negativo para o Novo Banco, o suposto “banco bom” do BES, cujo CET1 estava em 10,8%.

Malparado, eficiência e ativos

Na gestão do malparado a evolução conseguida em Portugal foi também positiva no período, pecando porém pela mesma via, já que a UE conseguiu melhor e com menos. Que é como quem diz: apesar do peso do malparado ser bastante inferior na União Europeia face a Portugal, a região conseguiu baixá-la mais.

Segundo a EBA, o peso médio do malparado (NPL ratio, de non performing loans ) nos bancos portugueses caiu de 19,2% dos créditos totais para 18,5%, de março do ano passado até ao mesmo mês deste ano. A quebra foi de 0,7 pontos, 0,2 pontos abaixo do recuo na UE, onde o NPL caiu de 4,8% para 5,7%.

Ao contrário do que aconteceu no ranking CET1, no malparado a posição portuguesa acabou por piorar face aos pares: se, em março de 2016, os bancos cipriotas, gregos e eslovenos apresentavam rácios mais pesados, agora apenas os dois primeiros continuam pior do que o rácio da banca em Portugal. Os eslovenos conseguiram baixar o rácio de NPL de 19,7% para 13,5%.

A piorar na comparação com os restantes esteve também a evolução em termos de eficiência – cost to income -, onde a banca em Portugal passou do oitavo registo mais alto para o quarto. A média europeia caiu de 66% para 63,8%, segundo os dados da EBA, tendo a portuguesa permanecido pouco acima da casa dos 66%.

Por fim, destaque para a dimensão dos bancos, que em Portugal é cada vez mais residual. De março de 2016 a março último, a banca presente no país continuou a perder ativos a um ritmo acelerado, tendo caído de 297,6 mil milhões de euros para pouco mais de 281 mil milhões, um recuo de 5,5% que compara com a queda de 1,2% acumulada pelo setor na União Europeia, incluindo Portugal.

A banca comunitária contava com 31 biliões em ativos no final do primeiro trimestre de 2016, valor que desde então recuou para 30,7 biliões, ou -1,19%.

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
TimVieira_1-1024x683

“Fui quem mais investiu e mais perdeu no Shark Tank. E também quem ganhou mais”

João Lourenço, Presidente de Angola. Fotografia: ESTELA SILVA/LUSA

Dívida externa angolana financiou “enriquecimento ilícito de uma elite”

Lisboa, 12/06/2019 - Mariana Vieira da Silva, ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, fotografada esta tarde nos estúdios da TSF, durante uma entrevista 'A Vida do Dinheiro'  TSF/Dinheiro Vivo.
( Gustavo Bom / Global Imagens )

Mariana Vieira da Silva: Repetir a geringonça “é possível e desejável”

Outros conteúdos GMG
Banca melhora principais indicadores mas continua a divergir da UE