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Banca reduz crédito malparado em 18 mil milhões desde pico de 2016

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal
Carlos Costa, governador do Banco de Portugal

Os bancos portugueses reduziram o valor de crédito malparado em 18 mil milhões de euros nos últimos dois anos.

A banca nacional continuou a cortar no crédito malparado no segundo trimestre deste ano. Nesses três meses, o valor dos empréstimos não produtivos baixou em 2.268 milhões para 32.407 milhões de euros, segundo dados divulgados pelo Banco de Portugal esta quinta-feira.

Desde o máximo de junho de 2016, o valor do malparado desceu em mais de um terço, uma redução de cerca de 18 mil milhões de euros. Foi nas empresas que o corte foi maior, com os empréstimos não produtivos a empresas a baixarem 12 mil milhões de euros nesse período.

O peso do crédito não produtivo no total dos empréstimos baixou de 12,8% para 11,7% no segundo trimestre. Desde o máximo de junho de 2016 o rácio baixa em 6,2 pontos percentuais. Ainda assim, a banca portuguesa permanece com um dos níveis mais elevados da zona euro. Isto numa altura em que existe pressão por parte das autoridades europeias para que se baixe aquele indicador.

Na publicação sobre os desenvolvimentos recentes do sistema bancário, o Banco de Portugal nota ainda que “no 2.º trimestre de 2018, o rácio de cobertura de NPL [crédito não produtivo] por imparidades aumentou 0,7 pontos percentuais face ao trimestre anterior, situando-se em 52,9%. Este valor situa-se 9,7 pontos percentuais acima do observado em junho de 2016, quando o rácio de NPL atingiu o seu valor máximo”.

Ativo volta a crescer e penaliza rácios de capital

Nos últimos anos os bancos portugueses têm diminuído o ativo de forma a responderem às exigências de capital e também para abaterem crédito malparado. Mas o Banco de Portugal nota que o “ativo do sistema bancário inverteu a trajetória de decréscimo observada ao longo dos últimos anos, tendo aumentado 2,2% face ao trimestre anterior”.

O supervisor explica que “esta evolução refletiu um crescimento significativo das disponibilidades em bancos centrais (incluídas na rubrica “Outros ativos”) e, em menor grau, da carteira de títulos de dívida, com destaque para os títulos emitidos por administrações públicas de Portugal e Espanha”.

O aumento dos ativos acabou por penalizar os níveis de capital. “O rácio Common Equity Tier 1 (CET 1) cifrou-se em 13,4%, o que representa um decréscimo de 0,2 pontos percentuais face a março de 2018”. Este é o rácio de capital de fundo próprios de nível 1, os que têm mais qualidade. “O ligeiro aumento dos ativos ponderados pelo risco contribuiu negativamente para a evolução dos rácios de fundos próprios”, explica o Banco de Portugal.

Custos baixam, comissões sobem

Ainda assim, o Banco de Portugal notou que “a rendibilidade do sistema bancário aumentou significativamente face ao período homólogo”. Muito devido ao menor fluxo de imparidades, de provisões e a uma redução dos custos com pessoal.

O fluxo de imparidades baixou 337 milhões de euros. O das provisões diminuiu 157 milhões e os custos com pessoal reduziram-se em 131 milhões de euros. Já os rendimentos de comissões e serviços subiram 72 milhões de euros, o equivalente a 5,2%.

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