banca

Banca vai recrutar 500 jovens em 2019

Paulo Macedo
Paulo Macedo

Bancos procuram jovens licenciados para rejuvenescer os quadros de pessoal e desenvolver o negócio digital.

Depois de anos a despedir em força, a banca quer atrair talento e rejuvenescer os quadros de pessoal. Este ano, os maiores bancos em Portugal deverão recrutar cerca de 500 trabalhadores, estima o Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB). Os bancos procuram jovens licenciados em áreas como matemática, engenharia e programação. Numa altura em que o negócio da banca tradicional é forçado a adaptar-se à era da internet, os bancos precisam reforçar os seus quadros com especialistas em áreas novas. Isto depois de anos a perder trabalhadores: só em 2018 foram mais de 1400 os bancários que ficaram sem emprego.

“O setor da banca voltou a contratar. Espero que os bancos contratem cerca de 500 trabalhadores em 2019”, disse Paulo Marcos, presidente do SNQTB. “Não serão contratações em número tão significativo como nos anos 90, mas é positivo. Espero que neste ano o setor registe um aumento líquido do número de trabalhadores ou pelo menos que haja uma estabilização”, afirmou ao DN/Dinheiro Vivo. “Incluindo o Natixis e o BNP Paribas, o setor neste ano vai recrutar mais de mil trabalhadores em Portugal”, estimou.

O Novo Banco está a recrutar até cem jovens licenciados. “Estamos no mercado a recrutar. O objetivo é contratar até cem jovens licenciados para rejuvenescer a nossa estrutura.” Para isso, o banco tem um programa para atrair talento e tem marcado presença em eventos em diversas universidades, incluindo na Universidade Nova de Lisboa.

Os bancos procuram jovens licenciados em áreas como matemática, engenharia e programação

“Sobretudo, estamos a contratar para reforço da área digital”, disse fonte oficial do banco. A estatal Caixa Geral de Depósitos (CGD) também está a contratar e publicou, recentemente, anúncios para contratar jovens licenciados. Fonte bancária estima que o banco deverá contratar entre 100 e 150 jovens licenciados em 2019. “Para além do necessário rejuvenescimento natural, há uma procura por áreas novas, como banca digital e gestão de canais eletrónicos, compliance e relações com os supervisores”, disse a mesma fonte bancária. As contratações visam ainda preencher funções “relacionadas com as novas exigências de governance, nomeadamente, apoio às comissões especializadas do conselho de administração e um apoio maior aos administradores não executivos”.

Estas contratações ocorrem quando o banco estatal tem ainda em curso o Plano Estratégico 2020 que impõe a redução do seu quadro pessoal. O plano foi acordado entre o governo e a Comissão Europeia em 2017, no âmbito da recapitalização do banco em quase cinco mil milhões de euros. Segundo o Plano, o banco terá de despedir mais de mil trabalhadores até 2020. A Caixa terminou 2018 com 7675 colaboradores e, segundo o acordo com Bruxelas, em 2020 terá de ter menos de 6650.

O Banco BPI, do espanhol La Caixa, também confirmou que está a recrutar, mas não quis avançar com o número de contratações que planeia fazer neste ano. Fonte bancária aponta que o banco planeia recrutar 90 jovens, em 2019. E o Millennium bcp também está no mercado a recrutar na ordem das duas centenas, segundo fonte bancária. Até ao fecho desta edição, o banco não respondeu às perguntas do DN/DV sobre o tema.

A Caixa terminou 2018 com 7675 colaboradores e segundo o acordo com Bruxelas, em 2020 terá de ter menos de 6650

No caso do Santander vai “contratar pessoas com outros perfis – mais matemáticos, especialistas em modelos e com forte perfil digital – e, ao mesmo tempo, fazer um grande esforço na formação dos colaboradores atuais para converter muitos dos que temos hoje, de forma a garantir uma boa resposta às novas necessidades de um banco em transformação acelerada e que tem grande foco no cliente”.

Além da banca comercial, em Portugal, o BNP Paribas e o Natixis deverão contratar cerca de 800 portugueses entre si para os seus centros de apoio ao cliente no país.

Rui Riso, presidente do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, considera positivo que a banca esteja de novo a contratar mas lembra que tem a obrigação de dar formação aos seus quadros. Segundo o sindicalista, “há um acordo tripartido entre bancos, sindicatos e União Europeia, para que seja dada formação para a vida” aos quadros bancários. “Esse acordo não está a ser cumprido em Portugal”, acusa o sindicalista. “Rejuvenescer os quadros de pessoal na banca é importante mas o trabalhador mais antigo não pode ser assim descartado.”

Comentários
Outras Notícias que lhe podem interessar
Hoje
O ensino profissional é uma das áreas em que Portugal se posiciona pior na tabela do IMD World Talent Ranking 2019. Fotografia: Miguel Pereira/Global Imagens

Portugal é 23º no ranking mundial de talento. Caiu seis posições

O ensino profissional é uma das áreas em que Portugal se posiciona pior na tabela do IMD World Talent Ranking 2019. Fotografia: Miguel Pereira/Global Imagens

Portugal é 23º no ranking mundial de talento. Caiu seis posições

NUNO VEIGA / LUSA

Governo apresentou queixa contra 21 pedreiras em incumprimento

Outros conteúdos GMG
Banca vai recrutar 500 jovens em 2019