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Banco de Portugal quer cartões contactless nos transportes públicos

Hélder Rosalino, administrador do Banco de Portugal com o pelouro dos sistemas de pagamentos
Hélder Rosalino, administrador do Banco de Portugal com o pelouro dos sistemas de pagamentos

O supervisor pretende que os cartões contactless substituam as moedas e notas nos pagamentos de baixo valor.

Em Portugal existe um custo de cerca de 1% do PIB com a utilização dos instrumentos de pagamentos. Uma das formas mais dispendiosas de fazer um pagamento é através de numerário. E o supervisor pretende que em muitas dessas situações, como nos transportes públicos, as notas e moedas sejam substituídas por um cartão contactless, que permitem fazer pagamentos sem introduzir o PIN.

“Há funcionalidades dos cartões de débito que não têm sido devidamente exploradas, como a tecnologia contactless para efetuar pagamentos de baixo valor, em substituição do numerário”, considera Hélder Rosalino, administrador do Banco de Portugal, num artigo de opinião publicado no Dinheiro Vivo.

“A promoção deste tipo de utilização poderia também contribuir para aumentar o recurso ao cartão de débito junto de setores de negócio onde este instrumento de pagamento nem sempre é aceite. Por exemplo, para efetuar pagamentos de baixo valor nos transportes públicos (metro, comboio, autocarro, entre outros)”, detalha Hélder Rosalino que tem o pelouro dos sistemas de pagamentos do Banco de Portugal.

O administrador do supervisor observa que essa “é já uma realidade em muitos países europeus”. O responsável do supervisor bancário pede ao setor “um esforço na disseminação mais generalizada de cartões que disponham desta tecnologia, de terminais adequados e de informação aos clientes”.

Essa seria uma resposta à utilização de numerário, que o Banco de Portugal estima ser “o instrumento que mais contribuiu para os custos sociais com os instrumentos de pagamento”, segundo o estudo do Banco de Portugal sobre os custos dos instrumentos de pagamento de retalho, divulgado esta segunda-feira e relativo a 2017. No total, pagar em notas e moedas teve um custo de mais de mil milhões de euros. Essa despesa engloba os custos com pessoal, associados aos levantamentos e depósitos, e com serviços de transporte e guarda de valores.

Existem cartões de débito, de crédito e pré-pagos com a tecnologia contactless, que pode ser também disponibilizada através do telemóvel, relógio ou pulseiras.

Os cheques são outros dos instrumentos de pagamentos mais dispendiosos. Hélder Rosalino sugere que “nos casos em que a utilização de cheque resulta de imposição institucional (por exemplo, em alguns pagamentos ao Estado), poderia ser ponderada a sua substituição por instrumentos de pagamento eletrónicos mais eficientes e seguros, como os cartões de pagamento, as transferências a crédito e os débitos diretos”.

Hélder Rosalino defende ainda uma maior utilização das transferências imediatas, que têm vindo a ganhar popularidade. Desde que foram disponibilizadas em Portugal foram processadas mais de 750 mil transferências imediatas, no valor global de 648,5 milhões de euros.

“Como acontece já noutros países europeus, poderá ser avaliada pelos intervenientes no mercado de pagamentos nacional uma eventual migração das transferências a crédito tradicionais para as transferências imediatas”, conclui Hélder Rosalino.

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