Popular 2020

Banco Popular. “Portugal não é uma ilha”

Carlos Álvares, presidente do Banco Popular. Fotografia: Gonçalo Delgado / Global Imagens
Carlos Álvares, presidente do Banco Popular. Fotografia: Gonçalo Delgado / Global Imagens

O presidente do Banco Popular em Portugal garante desconhecer em que medida a reestruturação da casa-mãe vai afetar a operação por cá

O presidente do Banco Popular em Portugal admite que o plano de reestruturação do grupo em Espanha possa levar ao encerramento de agências e a despedimentos no mercado nacional, mas garante desconhecer em que medida. Os jornais espanhóis dão conta que o plano de reestruturação será conhecido em pormenor no fim do mês e falam em 2.800 despedimentos. “Portugal não é uma ilha”, lembra Carlos Álvares, em entrevista ao Dinheiro Vivo.

“O sistema financeiro passa por uma revolução, com a tecnologia a alterar o paradigma do sistema. As pessoas hoje em dia fazem muita coisa, sobretudo os particulares, através do telemóvel, o que significa que, se as pessoas deixam de utilizar as agências para se relacionarem com a banca e para executarem as suas transações, a certa altura há algumas agências que acabam por ser fusionadas. O Banco Popular está a seguir esse caminho em Espanha, mas não é, sequer, precursor, houve outros que avançaram com medidas semelhantes antes”, afirma. Carlos Álvares recusa diabolizar o desenvolvimento tecnológico que, a seu tempo, acabará por se traduzir em novas oportunidades de emprego.

Por outro lado, lembra que o mercado financeiro português também tem sido marcado por reestruturações de bancos. “Alguns já seguiram esse caminho outros estão a fazê-lo agora. Nós já fechamos cerca de 60 agências nos últimos quatro ou cinco anos, mas nunca reduzimos a nossa equipa de trabalho. Vamos a ver, não conheço os números exatos de Portugal, mas admito que não vamos ficar de fora deste plano de ajuste. Portugal não é uma ilha”, frisou, falando à margem do debate Popular 2020, que esta tarde decorreu em Viseu no Montebelo Hotels & Resorts.

Carlos Álvares mostra-se, no entanto, confiante na evolução do mercado nacional. “O que eu sinto é que, neste momento, Portugal é um mercado, também, de oportunidade. E o banco tem vindo a crescer. Aumentamos a quota no segmento de empresas de 3,8 para 5,5% em 3 anos. Nunca paramos de crescer em crédito e, este ano, devemos ser o único banco que está a crescer de forma orgânica neste segmento. Acredito que, por vezes, é preciso dar um passo atrás para dar dois à frente”, frisou, em referência aos eventuais efeitos da reestruturação.

Ser parceiro das empresas portuguesas “nas próximas décadas” é o objetivo do Banco Popular em Portugal, que gostaria de um dia ter por cá uma quota de mercado similar à da casa-mãe. Consciente da dificuldade – o Banco Popular em Espanha tem uma quota de 17% junto das empresas -, Carlos Álvares já se contenta em estabelecer uma meta mais comedida, mas mesmo assim muito ambiciosa: chegar aos dois dígitos. “Vamos a ver. Temos um longo caminho para percorrer”, reconhece.

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