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Bancos cortam custos com pessoal em 130 milhões

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DBRS elogia planos de reestruturação que permitiram baixar despesa. Custos operacionais caíram para valores mínimos. Malparado está a baixar.

O corte no número de funcionários e o fecho de balcões permitiu aos bancos portugueses pouparem na despesa com pessoal. Nos primeiros seis meses do ano esse valor caiu quase 8%, o equivalente a 131 milhões de euros, segundo dados divulgados ontem pelo Banco de Portugal. Essa redução nos custos ajudou os bancos a melhorar a rendibilidade, o que é visto pela agência de rating canadiana DBRS como uma prova de que os planos de reestruturação começam a dar frutos.

“No primeiro semestre de 2018, os custos operacionais diminuíram 5,8% face ao período homólogo”, indicou o Banco de Portugal. Em valores anualizados, a despesa operacional baixou em cerca de 300 milhões de euros para um total de 5,5 mil milhões, o montante mais baixo desde pelo menos 2010, data do início dos dados disponibilizados pelo supervisor.

O Banco de Portugal salienta que, “embora a redução dos custos operacionais tenha sido transversal a todas as componentes, esta redução é essencialmente explicada pelos custos com pessoal, os quais diminuíram 7,9%”. Apesar de nos últimos anos já terem cortado de forma significativa em funcionários e balcões nos últimos anos, em 2018 alguns dos maiores bancos continuam a emagrecer os seus quadros de pessoal.

Foi o caso da Caixa Geral de Depósitos e do Novo Banco. Reduziram o número de funcionários na atividade doméstica em 246 e 139, respetivamente, no primeiro semestre do ano. No ano passado, e incluindo todo o sistema bancário, foram cortados 690 postos de trabalho, segundo os dados mais recentes da Associação Portuguesa de Bancos. Em dez anos, o setor perdeu quase 12 mil funcionários.

DBRS diz que planos de cortes de custos estão a dar frutos

Os bancos portugueses tiveram de implementar planos de reestruturação nos últimos anos para baixarem custos e tentarem regressar aos resultados positivos. E a DBRS considera que o setor nacional está a ficar mais eficiente. “Os planos de reestruturação dos bancos começam a dar frutos”, disse a agência canadiana numa nota divulgada ontem. Salienta precisamente a descida acima de 5% na fatura com os custos operacionais.

Apesar da ajuda dos menores custos operacionais, a melhoria dos resultados dos bancos é explicada sobretudo pela queda dos fluxos de imparidades e das provisões para fazer face às perdas de ativos. Estes dois indicadores desceram em quase 500 milhões de euros no primeiro semestre, segundo os dados do Banco de Portugal. O supervisor observa que “a rendibilidade do sistema bancário aumentou significativamente”.

Já a DBRS concretiza que, no total dos bancos que acompanha, o lucro acumulado totaliza 759 milhões de euros. Salienta que é a primeira vez desde 2011 que o setor tem resultados positivos no primeiro semestre.

Banca abate malparado. Mas é preciso cortar mais

A banca nacional confirmou ainda no primeiro semestre a tendência de cortar no malparado. O valor em balanço de créditos não produtivos encolheu quase 4,6 mil milhões de euros na primeira metade de 2018, segundo o Banco de Portugal. Desde o máximo de junho de 2016 o malparado foi reduzido em mais de um terço. Baixou cerca de 18 mil milhões de euros para 32,4 mil milhões. Foi uma redução de mais de um terço.

Além de abater malparado nos balanços, os bancos estão a acelerar a venda de carteiras de créditos problemáticos, aproveitando o apetite de fundos internacionais e a recuperação da economia e do imobiliário. O valor dessas operações deverá duplicar este ano para cerca de sete mil milhões de euros, segundo estimativas da Deloitte. Mas os níveis de crédito não produtivo ainda estão elevados.

Em junho deste ano, 11,7% do total de crédito era não produtivo. Apesar de ser uma redução face ao máximo de 17,9% verificado em meados de 2016, o rácio ainda está longe dos 5% que poderão vir a servir de referência na área do euro no futuro. Assim, a DBRS alerta que “é necessária uma redução adicional” do malparado. Até porque, indica a agência, “o rácio de NPL [crédito não produtivo] ainda é elevado em relação a outros países europeus”.

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