Bancos pagaram 207 milhões em impostos. BES deu metade

Banca afunda em bolsa
Banca afunda em bolsa

“A carga fiscal do BES é absolutamente brutal.” A constatação feita por Ricardo Salgado, quando da apresentação dos resultados semestrais do banco, tinha sentido. O Dinheiro Vivo analisou os impostos pagos pelos cinco bancos nacionais no primeiro semestre e o BES surge com a fatura fiscal mais elevada. No total, o banco pagou 101,5 milhões de euros em impostos sobre o rendimento. Mas não foi o único a contribuir para os cofres do Estado.

Contas feitas, o saldo final pago em impostos sobre os lucros da Caixa Geral de Depósitos, do BCP, BES, BPI e Santander Totta atingiu os 206,7 milhões de euros até junho.

O número contrasta com o montante negativo de 71 milhões de igual período do ano passado. Além da “fatia de leão” do BES, a explicação para esta escalada assenta em fatores como a opção por diferir os impostos (ou seja, o banco não vai para já pagar embora esteja nas suas contas), os efeitos não recorrentes registados na primeira metade do ano e os créditos fiscais que algumas instituições financeiras beneficiaram igual período do ano passado.

“A subida da carga fiscal no primeiro semestre deve-se ao BES, pelo efeito não recorrente das menos-valias de 93 milhões de euros com as participações financeiras na EDP e na PT, que não puderam ser deduzidas fiscalmente”, argumentou um analista do sector que não quis ser identificado. Este não foi o único efeito não recorrente já que o BES teve também de fazer a consolidação da BES Vida de forma integral e que acabou, igualmente, por ter um impacto nas contribuições fiscais.

O CEO da corretora Dif Broker segue na mesma direção ao afirmar que “o principal responsável pelos bancos pagarem mais impostos foi o BES, que teve prejuízos na sua carteira que não eram dedutíveis e acabou por pagar mais do que todos os outros bancos somados”. Pedro Lino adianta que “os impostos aumentaram substancialmente de 2011 para 2012, apesar dos resultados antes de impostos se manterem praticamente inalterados”.

De facto, o BES foi responsável por quase metade do montante que foi pago ao Estado, com 101,5 milhões, enquanto que os restantes bancos contribuíram com 105,4 milhões. A Caixa, que apresentou ontem resultados (ver texto em baixo), surge como a segunda instituição que mais contribuiu fiscalmente, com 57,3 milhões de euros, seguida pelo BPI, com 27,4 milhões. Já o Santander Totta registou uma fatura fiscal de 17,4 milhões, enquanto que o BCP não foi além dos 3,3 milhões.

Questionados sobre a evolução da carga fiscal, os especialistas não são consensuais. Enquanto que o analista do sector que não quis ser identificado estima que a carga fiscal “se mantenha numa média de 22 a 25%”, já Pedro Lino considera que “à medida que o sector prevê uma melhoria dos resultados irá, após as limpezas de balanço que ocorreram, pagar mais impostos, quer via contribuição sobre o sector financeiro, quer por via da actividade corrente”.

Prejuízos da CGD e BCP anulam lucros dos rivais

A CGD fechou ontem o ciclo dos resultados da banca portuguesa. O saldo final não é animador já que, nos primeiros seis meses do ano, os cinco bancos nacionais – BCP, BES, BPI, Santander Totta e Caixa – perderam 2,1 milhões por dia. Contas feitas e, no conjunto, o saldo dos resultados semestrais do sector foi negativo em 384 milhões de euros. O número compara com o lucro conjunto de 536 milhões de euros arrecadados em igual período do ano passado e reflete o ambiente recessivo em Portugal, mas o cenário internacional resultante dos efeitos negativos da crise da dívida soberana. O aumento das imparidades e provisões, sobretudo para crédito, foi uma das rubricas que mais penalizou as contas do semestre ao disparar 59%.

No entanto, as contas do sector foram penalizadas pelos resultados do BCP e da CGD, as únicas instituições a fecharem o primeiro semestre com prejuízos. Sem estes números negativos, a história teria sido diferente com os lucros da banca a ascenderem a 173 milhões de euros.

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