Bancos portugueses ganham folga de capital com créditos fiscais

O BCP, liderado por Nuno Amado, será o banco mais beneficiado
O BCP, liderado por Nuno Amado, será o banco mais beneficiado

Os bancos portugueses vão ganhar uma folga adicional de solidez com a aprovação da solução de impostos diferidos. Esta solução poderá ter um impacto positivo de 1,5 mil milhões de euros no BCP, BES e BPI, correspondentes a poupanças de impostos a obter no futuro.

Atualmente, os impostos são deduzidos nas contas de capital dos bancos, sendo classificado como core capital no quadro de Basileia III. Com a aprovação anunciada ontem – mesmo sem se saber grandes detalhes – os bancos deixam de ter de deduzir em fundos próprios os prejuízos fiscais acumulados (ativos por impostos diferidos), o que permite libertar capital.

Os ganhos de capital nos rácios de solidez podem variar entre 0,9% e 3,9% pontos percentuais. O BCP será o banco mais beneficiado. Os analistas estimam um impacto de cerca de 1,3 mil milhões de euros.

O BCP estimou um impacto positivo de 410 pontos, elevando o rácio de capital Common Equity TIER I para 9,1%, já após o reembolso de 400 milhões de euros ao Estado e a operação de venda de 49% de entidades seguros no ramo-não vida.

“A melhoria dos rácios de capital permite ainda equacionar um reembolso antecipado de parte das obrigações CoCo ainda em balanço por parte do BCP (o BPI já solicitou autorização para o reembolso dos 420 milhões de euros ainda em balanço)”, explica o Caixa BI.

O BES estima um impacto de 90 pontos base colocando o rácio em 8,9% ou 10,5% (se considerada a conclusão do aumento de capital, o qual terá um impacto de 160 pontos). O BPI espera um impacto de 150 pontos (227 milhões de euros), colocando o rácio em 9,2%.

“”É uma notícia não só bastante aguardada, como de importância significativa para o sector, a qual irá certamente melhorar o posicionamento dos bancos nacionais para o conjunto de exercícios de avaliação que ocorrerão no curto/médio prazo”, consideram os analistas do Caixa BI.

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