Brexit

Bancos que querem sair de Londres têm um problema: Espaço

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Capitais europeias não têm edifícios de escritórios disponíveis para acomodar os milhares de trabalhadores que os bancos poderão ter de realocar.

Os bancos que planeiam sair de Londres na sequência do Brexit enfrentam um problema: não há espaço imobiliário disponível nas capitais europeias para acomodar os milhares de trabalhadores que os bancos possam ter de realocar.

Espaços de escritórios com capacidade para receber os bancos e os colaboradores nas zonas nobre de cidades como Paris, Frankfurt ou Amesterdão estão no nível mais baixo da última década, segundo dados da Savills Plc, de Dublin, citados pela Bloomberg.

Na La Defense, em Paris, existem apenas 8 espaços de escritórios com capacidade para receber 2 mil funcionários ou mais. Em Frankfurt, apenas 5 espaços. Em Dublin, Madrid ou Amesterdão não há espaço disponível com essas características, apenas um espaço de escritório em cada uma das capitais europeias, com conclusão prevista em 18 meses.

Leia mais: Brexit. Frankfurt facilita despedimentos na banca.

“Não há um sucessor imediato de Londres”, diz Matthew Fitzgerald, representante da imobiliária para o mercado europeu. “Levará alguns anos para ver um cluster financeiro a uma escala semelhante”, continua, citado pela Bloomberg. Dada a escassez de oferta de espaços, os bancos estão a equacionar dispersar os colaboradores por uma série de cidades europeias, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg.

Até agora os bancos têm esperado pelo plano de negociações de Theresa May, sucessora de David Cameron no Governo britânico, junto da UE, estando os responsáveis da banca a se preparar para o pior cenário em que perdem o direito de negociar livremente para o mercado europeu a partir de Londres. Neste cenário, há que planear a mudança de escritórios antes do fim dos dois anos de negociação do Brexit. Esta situação afeta particularmente as instituições financeiras norte-americanas que têm a maioria da sua operação europeia sedeada em Londres: 87% dos colaboradores estão em Londres que representa 78% da atividade de mercados na Europa, segundo o think tank New Financial.

A preocupação dos bancos com o tema é pública. Na semana passada Sergio Ermotti, CEO do UBS Group, admitiu que o banco suíço teria de mudar cerca de 1500 postos de trabalho de Londres para outras zonas da Europa. E o chairman do Lloyd’s, John Nelson, admitiu que as seguradores serão forçadas a mudar parte da sua operação sedeada na City para outros países da UE se não puderem continuar a aceder ao mercado único europeu.

E ainda não era conhecida a decisão dos britânicos para a saída da UE já o CEO do JP Morgan Chase & Co., Jamie Dimon, admitia que o banco poderia mudar 4 mil funcionários para o continente. Números a que se juntam mais mil funcionários do Morgan Stanley. Goldman Sachs e o Citigroup também admitiu mudanças no mesmo sentido, bem como os bancos HSBC Holdings Plc e Deutsche Bank AG que cogitavam mudar pessoas e operações para França ou Alemanha.
Com a falta de espaços de escritório com capacidade para receber os colaboradores, é uma das razões que levou os bancos a fazerem lobby junto de May e outros líderes europeus para chegarem a um acordo que garanta um longo período de transição para os eventuais novos termos comerciais a serem fechados entre o Reino Unido e a UE.
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