Poupança

Bancos sobem custos com conta-ordenado

Fotografia: Paulo Spranger
Fotografia: Paulo Spranger

Várias comissões registaram aumentos médios de dois dígitos no ano passado, diz a Deco

Os maiores bancos nacionais estão a subir os custos de manutenção da conta-ordenado. Uma análise da Deco, a associação de defesa do consumidor, revela que, no ano passado, os cinco bancos com maior quota de mercado – Caixa Geral de Depósitos, BCP, Novo Banco, BPI e Santander Totta -, que representam cerca de 80% do mercado, aumentaram os custos de movimentações na conta-ordenado em 47%.

“Temos vindo a alertar para a subida nas comissões, com aumentos médios de dois dígitos, e este ano, em particular, verificámos uma forte subida nas comissões da conta-ordenado”, diz ao Dinheiro Vivo Nuno Rico, economista que acompanha questões de crédito. “A conta-ordenado era habitualmente um produto onde havia uma relação privilegiada com o banco devido à domiciliação de ordenado mas isso já não está a acontecer. Os cinco maiores bancos, que têm mais de 80% de quota de mercado, subiram custos relacionados com ter e movimentar a conta-ordenado em 47%”, revela.

Segundo as contas da Deco, reveladas num estudo divulgado em fevereiro, os custos médios de manutenção atingem os 61 euros por ano, o que representa mais de 5 euros por mês. Já as anuidades dos cartões de crédito aumentaram 28% no último ano, “56 vezes acima do valor da inflação”.

Exceções

O especialista revela ainda que o Santander Totta, o Novo Banco e o Deutsche Bank “acabaram com a conta-ordenado”. Nuno Rico lembra também os casos inversos: os bancos online como o Activobank, o Best e o BiG e ainda três instituições pequenas (o Atlântico Europa, o Banco CTT e o BNI) que isentem de custos de manutenção, “o que vem demonstrar que isto não é uma inevitabilidade”.

Contactada, fonte oficial do Santander Totta (BST) refuta esta ideia, dizendo que o banco “não procedeu a nenhum aumento do valor cobrado por manutenção de conta ou de gestão (no caso das contas pack) ao longo do último ano”. As contas pack vieram substituir, na oferta da instituição a conta-ordenado. Por essa razão, diz o banco, “não nos revemos na afirmação de que o BST deixou de comercializar contas ordenado. As Contas do Mundo 1|2|3 são contas que preveem 2 modalidades: com domiciliação de ordenado ou sem domiciliação de ordenado pelo que o Banco mantém a oferta de contas ordenado e continua a privilegiar os clientes que domiciliam o seu vencimento no banco”. Não foi possível ter uma resposta dos restantes quatro maiores bancos até à hora de fecho da edição.

Ilegalidade

A Deco lembra que desde 2015 que é ilegal a cobrança aos clientes sem que exista uma efetiva prestação de serviço e defende a clarificação desse conceito para evitar que a lei não seja aplicada. A associação lembra que há duas propostas legislativas que já foram aprovadas em janeiro, na generalidade, e que “continuam ser ver luz verde”.

Enquanto sobem as comissões, descem as remunerações nos depósitos, devido às baixas taxas de juro, que estão em mínimos históricos. Assim, a Deco lembra que existem alternativas, nomeadamente produtos complexos, embora com as devidas precauções e compreensão dos riscos e também os certificados de tesouro, sobretudo o CTPM, que “para um aforrador que não quer risco acaba por ser a melhor opção”.

Spread do crédito à habitação desce

Enquanto sobem as comissões, os spreads dos créditos à habitação na banca têm vindo a descer. Esta semana, o Santander Totta avançou com uma campanha com um spread mínimo de 1,25%, o mesmo praticado pelo Bankinter. Os dados de janeiro do Banco de Portugal revelam que os juros estão no valor mais baixo desde 2003, nos 1,78%. Uma visão corroborada por Nuno Rico, que refere que “temos vindo a assistir, desde finais de 2014, a uma descida continuada dos spreads, fruto da estabilização económica depois de um período de grande dificuldade no acesso ao crédito”.
O especialista da Deco destaca ainda a nova descida no início deste ano devido ao lançamento da oferta do Banco CTT. “Esperamos que as taxas comecem a estabilizar entre 1 a 1,5%. Será esta a tendência, pelo menos enquanto as taxas de juro estiverem negativas”, acrescenta Nuno Rico referindo, contudo, que o custo aumentou do lado do comissionamento. “Temos subidas muito significativas nas comissões de entrada ou na comissão de processamento da prestação”, exemplifica.

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