moratórias

Bancos têm exposição a créditos de 39 mil milhões com moratórias

Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens
Fotografia: Paulo Spranger/Global Imagens

O dado é relativo ao dia 18 de junho e consta do Relatório de Estabilidade Financeira divulgado pelo Banco de Portugal.

Os oito maiores grupos bancários em Portugal têm uma exposição a um valor global de cerca de 39 mil milhões de euros de créditos com moratórias, tanto pública como privadas.

O dado é relativo a informações prestadas pelos bancos e foi divulgado esta quarta-feira pelo Banco de Portugal no Relatório de Estabilidade Financeira.

Segundo o Relatório, o montante corresponde a cerca de 22% da carteira total de crédito a empresas e particulares.

“Os dados revelam ainda que, em termos relativos, a adesão às moratórias no segmento do crédito a empresas [cerca de 29% da carteira de crédito] superou a adesão registada no segmento do crédito a particulares [cerca de 17% da carteira de crédito]”, lê-se no documento.

Destaca que, “de acordo com estimativas dos próprios bancos, as prestações associadas a estes créditos, até 30 de setembro de 2020, totalizam cerca de 2,8 mil milhões de euros, no segmento de crédito a empresas, e 0,6 mil milhões no segmento de crédito a particulares”.

O Relatório alerta que o regime de moratórias é um risco para os bancos porque, “se, num primeiro momento, a adesão a um regime de moratória contribui para preservar a situação creditícia da generalidade dos mutuários, sempre que estes cumpram com os critérios de adesão previstos nas Orientações, num segundo momento, e em particular findo o período da moratória, a análise da viabilidade económico-financeira das empresas e a capacidade de pagamento dos particulares voltam a destacar-se como indicadores relevantes na avaliação do risco de crédito”.

Frisa que, apesar de mitigar os riscos no imediato, “não obstante, o risco para o setor financeiro, quando não existe uma garantia pública associada, como é o caso de Portugal, não se reduz”.

Recorda que, “para muitas empresas, dívida poderá não ser a forma mais adequada de financiamento”.

Tal como banqueiros têm alertado, também o Relatório avisa que “as consequências económicas e financeiras desta pandemia poderão prolongar-se muito para além do fim previsto do período de vigência dos regimes de moratórias, pelo que, após o seu término, poderá ocorrer um aumento do incumprimento das obrigações de crédito tanto dos particulares, como das empresas”.

“Neste sentido, é fundamental que os regimes de moratória sejam acompanhados por outras medidas de apoio à liquidez e solvabilidade dos diferentes agentes económicos e de relançamento da economia”, adianta.

Atualizada às 16H40 com mais informação

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