Futuro da Banca

Bancos valem hoje apenas 20% do que pediram a acionistas desde 2001

O governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa. (Fotografia: Tiago Petinga/Lusa)
O governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa. (Fotografia: Tiago Petinga/Lusa)

Levantamento do BPI refere que desde 2001 acionistas injetaram 42 mil milhões nos principais bancos do país. Bancos valem hoje apenas 8,4 mil milhões

Os maiores bancos do sistema português pediram 42,4 mil milhões de euros aos seus acionistas desde a viragem do século, verba que compara com o valor atual do mesmo conjunto de bancos: 8,4 mil milhões, ou seja, 19,8% do valor que consumiram.

Para este reduzido peso do valor dos bancos face ao que exigiram a investidores em muito contribuiu o desaparecimento do BES, Banif e do BPN, que desde 2001 e até colapsarem receberam mais de 22 mil milhões injetados por acionistas através de aumentos de capital.

Este levantamento dos aumentos de capital na banca nos últimos anos é da responsabilidade do BPI, tendo sido apresentado ontem, véspera do arranque de um novo aumento de capital do BCP, sendo que o valor que o Millennium procura agora captar já é assumido nos cálculos do banco.

A apresentação à imprensa do estudo do BPI serviu outro propósito a Fernando Ulrich, presidente do banco: convidar o país a uma reflexão sobre a banca e sobre os preconceitos que identifica na opinião dos portugueses face à mesma. “Até agora, o esforço efetivamente suportado pelo Estado e pelos contribuintes foi muito baixo quando comparado com o dos acionistas e o que foi suportado pelos outros países”, rematou.

Cruzando os 42,4 mil milhões de euros que foram injetados nos seis bancos considerados, com o retorno que esses mesmos bancos conseguiram dar através de dividendos, Ulrich não teve grandes dúvidas em identificar “uma destruição colossal de capital acionista” pela banca, “equivalente a 19% do produto interno bruto” de 2016. Os bancos distribuíram desde 2001 perto de 7 mil milhões de euros em dividendos, pelo que, contas feitas, e entre dinheiro entregue e recebido, os acionistas perderam 35,5 mil milhões com os bancos desde o novo século.

CGD: O banco menos mau

Do levantamento feito pelo BPI, onde o próprio BPI é o que melhor sai na fotografia, um outro dado merece destaque.

Em plena discussão sobre controlo público na banca e até sobre a eventual nacionalização do Novo Banco, a compilação aos aumentos de capital e dividendos pagos pelos bancos mostra que a CGD, onde os acionistas são os contribuintes, é das instituições que sai menos horrível na fotografia: o banco público pediu 8,5 mil milhões aos acionistas – já contando com o aumento de capital recentemente anunciado -, tendo distribuído 2,5 mil milhões de euros em dividendos, o equivalente a 29% do dinheiro pedido.

Só o BPI apresenta melhor rácio – distribuiu o equivalente a 94% do valor que pediu. Atrás da CGD surge o Millennium bcp (19,5%), BES/Novo Banco (10,6%), Banif (3,8%) e, por fim, o BPN (2,2%).

O trabalho do BPI também olhou com atenção para a relação do Estado com os bancos, com Ulrich a recusar a ideia de que foram os contribuintes quem mais dinheiro gastou com o setor financeiro em Portugal. Segundo as contas do BPI, os contribuintes perderam entre oito a dez mil milhões de euros com o setor bancário desde 2001.

Mas o CEO do BPI realçou um outro ponto do levantamento: A exposição do Estado à banca está hoje bastante reduzida face ao máximo a que chegou, em 2012. De acordo com os dados do BPI, entre CoCos e dívida garantida, os contribuintes já estiveram expostos ao setor em mais de 22 mil milhões de euros, valor que agora caiu para 2,5 mil milhões – dívida garantida ao Novo Banco. Para Ulrich, esta menor exposição pode, no limite, servir de “almofada” para acudir a eventuais novas urgências.

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