Banif

Sérgio Figueiredo. Notícia da TVI tinha por base “fontes documentais”

Sérgio Figueiredo, à esquerda, diretor de informação da TVI.
Sérgio Figueiredo, à esquerda, diretor de informação da TVI.

Sérgio Figueiredo, diretor de informação da TVI, está a ser ouvido pelos deputados na comissão parlamentar de inquérito ao Banif.

O diretor de informação da TVI, Sérgio Figueiredo, garantiu que “a TVI tinha informação forte, fidedigna e verdadeira”, na sua maioria “documental” sobre a questão do Banif e que essa informação foi “corroborada antes, durante e depois”, tendo contactado o Banif, o Banco de Portugal e o Ministério das Finanças.

Sérgio Figueiredo disse que que a informação chegou à TVI através de fontes “na sua maioria documentais”, nomeadamente uma carta, em inglês, enviada pelo governador do Banco de Portugal ao ministro das Finanças a 12 de Dezembro, o dia antes da notícia ser transmitida, como confirmou ao deputado do PS Eurico Brilhante.

“A versão final assenta fundamentalmente em documentos e declarações de fontes anónimas que não posso nem devo revelar e que era no sentido da medida de resolução.”

O responsável, que está a ser ouvido na comissão parlamentar de inquérito ao Banif, começou por dizer que “não havia um mistério em relação à situação do banco”, que até levou à suspensão das ações do Banif após comentários de Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças, que “falava com uma certa displicência e afirmou que não era surpresa para ninguém” a situação do Banif.

“Na noite de domingo, 13 dezembro, recebi contactos na minha redacção que estava confirmado, através de fontes na sua maioria governamentais, de que estava a ser preparada a resolução do Banif na semana seguinte”, admitiu. Sérgio Figueiredo não estava na redacção nesse dia mas articulou a informação com António Costa, colaborador e comentador da TVI.

“Não fui eu que conduzi o processo de formação da noticia mas posso garantir que foram cumpridas todas as regras e requisitos”, afirmou.

Questionado sobre se o ex-presidente do Banif, Jorge Tomé, foi contactado, Sérgio Figueiredo afirmou não saber “quem pegou no telefone primeiro”. Tomé disse na CPI que soube da resolução por um telefonema de António Costa.

“Tínhamos um comentador de assuntos económicos presente nas instalações da TVI. Disse-lhe para ir em socorro da redacção. Foi um apoio muito importante que tivemos nessa noite, julgo que ele próprio falou com o Dr. Jorge Tomé e esse processo de apuramento da informação permitiu que nós à meia-noite quando abrimos o bloco de informação na 25ª Hora a informação tivesse sido consolidada, confirmada com todas as partes interessadas e estar tão correta que voltamos a repeti-la no dia a seguir e não chegou a ser desmentida por nenhuma entidade oficial a não ser pelo próprio comunicado do conselho de administração do Banif”, explicou.

Em causa está a notícia de que o Banif ia fechar e de que os depósitos a partir dos 100 mil euros não estavam assegurados, como noticia o Diário de Notícias na edição de hoje. Uma informação que levou a uma fuga de depósitos de quase mil milhões de euros na semana seguinte e terá precipitado a resolução ao banco.

A notícia de 13 de dezembro anunciava que o Banif poderia ser intervencionado e que estava “tudo preparado” para fechar o Banif e que os depositantes iriam perder dinheiro acima dos 100 mil euros, o limite garantido pelo Fundo de Garantia de Depósitos. A informação foi avançada em rodapé por volta das 22h e foi pouco depois alterada com mais pormenores e onde já não se referia o encerramento do banco. A TVI pediu desculpa pelo episódio mas o Banif, a 15 de Dezembro, anunciou que estava a preparar uma ação contra a estação de televisão.

Nos dias seguintes à informação avançada pela TVI houve uma fuga de depósitos do Banif, de cerca de mil milhões de euros, o que terá contribuído para a resolução ao banco, comunicada pelo Banco de Portugal a 2o de dezembro. A resolução previa uma injeção de 2,2 mil milhões de euros no banco, a venda dos ativos saudáveis ao Santander por 150 milhões de euros e a criação de um “banco mau” para os ativos tóxicos. Vários responsáveis do Banif apontaram o dedo à notícia da TVI como a machadada final na sustentabilidade do banco.

Banif aponta o dedo à TVI

O Banif afirmou em Dezembro que ia avançar com um processo contra a TVI e contratou na passada semana o jurista da Sérvulo e Associados – e professor associado – Lobo Moutinho para conduzir o processo, como confirmou o próprio ao Dinheiro Vivo.

Vários responsáveis do banco apontaram o dedo à TVI. António Varela, administrador do Banif em representação do Estado, afirmou na comissão parlamentar de inquérito que a notícia da TVI era uma “notícia criminosa”. O mais crítico, contudo, foi Jorge Tomé. O antigo presidente do Banif disse mesmo que “a notícia da TVI ditou a resolução ao Banif”, com uma fuga de depósitos de 960 milhões de euros. Jorge Tomé levantou dúvidas sobre a escolha do Santander para a compra do Banif, dizendo que esta “aconteceu num contexto um bocado estranho”. Já Luís Amado, ‘chairman’ do Banif, afirmou que a notícia “agravou de forma dramática” a situação do banco. Também o ministro das Finanças Mário Centeno admitiu, na comissão de inquérito, que a notícia “teve impacto” na necessidade de se avançar com uma medida de resolução. Uma visão partilhada por Carlos Costa.

(notícia atualizada às 19h24 com mais informação)

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