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Bankinter quer duplicar quotas de mercado no segmento premium e empresarial

Bankinter quer crescer em Portugal.
Bankinter quer crescer em Portugal.

Portugal é um mercado estratégico para o Bankinter. Instituição reforçar os segmentos core da sua atividade.

O Barclays dá lugar ao Bankinter a 4 de abril. O décimo maior banco espanhol por ativos chega ao mercado português com um “ambicioso plano de crescimento e o firme compromisso de crescer no segmento premium e empresarial”. A estratégia foi revelada num encontro com jornalistas portugueses em Madrid por Fernando Moreno, diretor-geral da banca comercial, e José Vega, diretor do gabinete de integração do Bankinter em Portugal.

“Queremos crescer e duplicar a quota de mercado a médio prazo”, avança José Vega, sublinhando que a recuperação da economia portuguesa e a reestruturação do sistema financeiro são “oportunidades”.

A banca comercial do Barclays tem uma quota de mercado de 5% na banca privada e de 6% no segmento premium, valores que o Bankinter quer duplicar.

“O negócio de retalho do Barclays é uma excelente oportunidade e uma plataforma para o desenvolvimento internacional da estratégia de crescimento orgânico do Bankinter nos segmentos de banca privada, premium e empresas”, explicou José Vega. “O Bankinter demonstrou em Espanha que as crises são uma oportunidade para ganhar quota”.

Do setor bancário para o segurador, a instituição liderada por Maria Dolores Dancausa quer “replicar em Portugal a parceria criada com a Mafre no Bankinter Vida”, acrescenta o diretor.

O décimo maior banco espanhol por ativos que comprou o negócio de retalho e de seguros do Barclays por um total de 175 milhões de euros em setembro. Com a aquisição, o Bankinter fica com 446 balcões e mais de 812 mil clientes. Reafirmando que, para já, não está previsto um redimensionamento da atividade, os responsáveis do Bankinter vão assumir os 1002 funcionários do Barclays, passando a contar com um total de 5278 colaborares. Com o acréscimo de 84 agências, o banco espanhol terá uma rede de 446 balcões.

O banco espanhol prevê assumir o controlo do Barclays no dia 2 de abril, uma sexta-feira. Durante o fim de semana será implementada a mudança de imagem que permitirá a abertura de 84 agências com a marca Bankinter no dia 4 de abril.

“As condições económicas da operação são muito vantajosas e permitem criar valor para os acionistas desde o primeiro ano”, refere o diretor de integração. O Bankinter estima ainda um retorno de capital investido em 10% no médio prazo.

Crédito à habitação também uma aposta

Para o Bankinter, a rede de distribuição, a qualidade dos ativos, a rentabilidade e os produtos e serviços disponibilizados pelo Barclays são os pontos fortes que a instituição espanhola pretende capitalizar.

A confiança na recuperação da economia lusa, as margens do negócio bancário historicamente mais elevadas em Portugal do que em Espanha e o movimento de reestruturação do setor financeiro justificam a aposta no mercado nacional. O potencial de crescimento colocará o “Bankinter entre um dos principais players do mercado português”.

Além de aumentar o negócio com as pequenas e médias empresas, o banco quer impulsionar a concessão de crédito hipotecário “com força”, ao mesmo tempo que pretende um crescimento dos serviços prestados aos clientes através do uso intensivo das novas tecnologias.

Para melhorar a posição de liquidez e acelerar a captação de depósitos, o Bankinter assume querer captar clientes de bancos que estão a atravessar situações “complexas” – Novo Banco e Banif.

Com o anúncio da compra do Barclays, cerca de 400 clientes manifestaram vontade em mudar de instituição. Mas os pedidos de esclarecimento fornecidos pelo Bankinter travaram a fuga de clientes. A instituição diz ter perdido apenas cerca de 80 clientes.

O Bankinter assinalou 50 anos de experiência no mercado espanhol em 2015. A décima maior instituição bancária em Espanha dá o primeiro passo na internacionalização com a compra do Barclays. Fora do perímetro dessa aquisição ficam todos os litígios contra o Barclays. Recorde-se que o Barclays denunciou a existência de uma eventual concertação de 12 bancos na concessão de crédito, já acusados pela Autoridade da Concorrência. Como instituição que terá denunciado o cartel, o Barclays poderá beneficiar do estatuto de clemência.

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