O futuro próximo de Portugal e do sector financeiro adivinha-se tudo menos positivo, pelo menos de acordo com o Barclays. Se os planos para o regresso do país aos mercados de dívida estão agora mais distantes, a banca poderá precisar de mais 4,6 mil milhões de euros de capital.
Numa nota de análise hoje publicada, a que o Dinheiro Vivo teve acesso, com o título ‘É necessário mais alívio financeiro e de dívida’, o Barclays começa por salientar que “a perspetiva macroeconómica desafiante e a recente crise política tornam os planos do Governo de regressar aos mercados ainda mais distantes”.
O Barclays vai mais longe: “A menos que o cenário surpreenda pela positiva, Portugal poderá precisar de fundos adicionais, quer seja de precaução ou um programa completo”. Ainda assim, salienta que “os riscos de contágio a Espanha e Itália irão pesar fortemente contra a possibilidade de uma reestruturação da dívida”.
No entanto, o banco de investimento deixa outro aviso: “a probabilidade de uma reestruturação da dívida em 2013-2014 aumentou, ainda que continue abaixo dos 50%. A probabilidade de derrapagens orçamentais em Portugal é agora maior e quanto mais tempo for adiado uma nova ajuda menos será a base de detentores internacionais de dívida. Por isso, os Estados membros que possam suportar uma reestruturação poderão levantar essa questão antes do final deste ano”.
“A nossa visão continua a ser a de que desde que o Governo de Portugal evite uma crise política e continue a implementar reformas, a zona euro vai continuar a financiar o país”, defende o banco de investimento britânico.
Face a este cenário desfavorável, juntamente com as elevadas imparidades e provisões para crédito o Barclays antecipa novas necessidades de capital para a banca portuguesa.
“Neste contexto, vários bancos portugueses poderão ficar com necessidades de capital nos próximos 18 meses. Calculamos necessidades de 4,6 mil milhões de euros num cenário base, que poderá aumentar para os 12,4 mil milhões de euros num cenário adversos”, avisa o Barclays.
O banco de investimento acrescenta que “o envolvimento de detentores júnior de dívida poderá reduzir a necessidade de fundos adicionais entre os 900 milhões e os 6,9 mil milhões de euros, o que significa que os 6 mil milhões que ainda estão na linha de recapitalização serão suficientes”.
