Barclays é “a primeira aventura de internacionalização” do Bankinter

María Dolores Dancausa
María Dolores Dancausa

O Barclays é "a primeira aventura de internacionalização" do Bankinter. Quem o afirma é a CEO do banco espanhol, María Dolores Dancausa, que hoje reiterou Carlos Brandão - country manager do Barclays - como responsável da instituição em Portugal e garantiu trabalhadores e agências.

“Trata-se da primeira operação internacional do Bankinter”, afirmou María Dolores Dancausa, CEO do banco espanhol hoje em conferência de imprensa sobre a compra do negócio de banca de retalho do Barclays. A responsável começou por fazer um retrato da instituição qualificando-o como “um banco universal, para empresas e particulares, com um pequeno banco no Luxemburgo, com companhias de seguros, com gestora de fundos, crédito ao consumo. Ou seja, temos uma atividade bancária mas também temos várias sociedades com vários negócios”.

“É a primeira operação importante que fazemos, uma vez que nas compras anteriores já fazíamos parte das instituições. É a primeira aventura de internacionalização e o primeiro impulso para crescer não apenas de forma orgânica”, explicou. A responsável do banco considerou ainda que ao ficar com uma quota de mercado de 5% no segmento privado e de 6% na área comercial já “é um bom ponto de partida”.

Carlos Brandão à frente

Tal como o Dinheiro Vivo já tinha avançado, o atual country manager do Barclays para Portugal, Carlos Brandão, foi o homem escolhido para ficar à frente do Bankinter em Portugal. O motivo da escolha foi feito com base no facto de “confiarmos na equipa diretiva, nas pessoas e na operação. É uma equipa dirigida por portugueses e que melhor conhece os clientes e o negócio em Portugal”, rematou María Dolores Dancausa.

Já quanto ao nome, depois de um período de transição, as agências deixarão de ter o nome Barclays para passarem a chamar-se Bankinter. “Queremos dar-nos a conhecer em Portugal, através de publicidade porque não somos ainda conhecidos, e vamos usar todas as ferramentas para atingir esse objetivo”, revelou.

Trabalhadores e agências garantidos

Também tal como o Dinheiro Vivo já tinha avançado, o Bankinter pretende manter o número de trabalhadores (1002) e de agências (84) do atual Barclays. Segundo a CEO, o banco espanhol “quer ter êxito em Portugal, queremos aumentar o número de clientes mas sem reduzir custos à custa de despedimentos e encerramento de balcões, até porque o Barclays já fez os ajustes necessários. Queremos ganhar dinheiro com aumento de clientes e negócio e não com a redução de custos”.

No entanto, apesar de salientar que “não queremos reduzir custos mas sim aumentar negócio”, María Dolores Dancausa admite “ajustes pontuais” no número de trabalhadores ao mesmo tempo que considerou ser “prematuro dizer que vamos fechar agências”.

A CEO do Bankinter garantiu ainda que “os trabalhadores vão manter os seus direitos”.

A aposta em Portugal

Porquê a aposta em Portugal? María Dolores Dancausa avança com os argumentos: “temos confiança na economia portuguesa, que já iniciou o caminho da recuperação e as perspetivas de crescimento são favoráveis. Além disso, o sector está em plena reestruturação e as margens são melhores do que em Espanha”.

Questionada sobreo timing da operação, numa altura em que outras instituições financeiras internacionais estão de saída do país, a CEO referiu que “é uma oportunidade para nós. Os ajustes quer no país quer no sector já foram feitos, e portanto há potencial de crescimento.

No entanto, María Dolores Dancausa admite que a operação “tem riscos e dificuldades”, sendo que revelou estar preocupada com “o processo de integração – de pessoas, clientes e cultura. Estamos conscientes dos riscos mas determinados e confiantes”.

De acordo com a responsável, serão necessários 16 meses para que a operação esteja totalmente concluída, ou seja o tempo necessário para ter o aval dos reguladores, fechar a compra e o processo de integração. Na prática, a operação está concluída até ao final de 2016.

BBVA nunca foi opção

A CEO do Bankinter revelou que o banco espanhol nunca olhou para a atividade e o negócio do BBVA em Portugal. María Dolores Dancausa revelou, contudo, que foi em maio passado que foi tomada a decisão de entrar em território nacional e que o “Barclays acelerou esse plano”.

María Dolores Dancausa não quis comentar o potencial impacto com a venda do Novo Banco para o sector financeiro português, salientando que “não falo de concorrentes”.

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