Digitalização

BBVA Espanha: Política do BCE “está a matar” banca europeia

Francisco González, presidente do BBVA Espanha. Fotografia: REUTERS/Vincent West
Francisco González, presidente do BBVA Espanha. Fotografia: REUTERS/Vincent West

Ana Botín, do Santander Espanha, considera que a banca tradicional poderá tornar-se numa alternativa "mais atrativa" do que as fintech

“A Europa está numa espécie de armadilha. A política monetária expansiva está a levar a taxas negativas, algo que nos está a matar”. As declarações são do presidente do BBVA Espanha, Francisco González, que avalia o impacto das medidas do Banco Central Europeu (BCE) para impulsionar a taxa de inflação e o seu efeito no mercado bancário no Velho Continente.

O banqueiro sustenta que Mario Draghi já não tem mais margem para mais medidas de impulso à economia. E que “ser um banco europeu não é uma tarefa fácil. De todo”, acrescentou, citado pelo jornal espanhol Cinco Días.

González referiu também que, tendo em conta o esgotamento da política monetária, é necessário apostar em reformas estruturais. Tarefa, no entanto, “muito difícil”, por causa dos problemas de coordenação nas políticas europeias.

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Sobre a União Bancária, o responsável máximo do BBVA Espanha considerou que esta medida é uma “armadilha”, se não houver uma “maior integração política”. As declarações foram prestadas no encontro de primavera do Instituto Internacional de Finanças (IIF).

Francisco González salientou ainda o desafio da digitalização da banca, que está a alterar “as regras do jogo” do sistema financeiro no médio e longo prazo. “A banca tem de entender muito bem este desafio de mudar gradualmente o seu modelo para focar-se mais junto do cliente”, caminho que os clientes entendem muito bem e que, com a redução de custos, poderá aumentar o crédito concedido junto da economia.

Ana Botín destaca agilidade dos bancos

Ao lado do presidente do BBVA Espanha esteve Ana Botín, a líder do Santander espanhol. A banqueira destacou que se o sector aplicar a regulação e obtiver a confiança do cliente, poderá tornar-se numa alternativa “mais atrativa” do que as fintech, as startups financeiras.

“Se combinarmos a flexibilidade com a capacidade de cumprir as normas e a confiança dos clientes, geraremos mais capital e seremos mais atrativos do que as fintech“, referiu.

Ana Botín adiantou também que os bancos, nos últimos anos, têm de mudado de estrutura de capital e de negócio. “Agora somos mais flexíveis para escutar os nossos clientes e dar-lhes os serviços que quiserem”, adiantou a banqueira. A presidente do Santander espanhol notou ainda que a instituição tem melhorado “de maneira tremenda” o modo como pode anunciar produtos e oferecê-los a terceiros.

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