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BCP. Analistas alertam para diluição das participações no aumento de capital

Analistas contactados pelo Dinheiro Vivo apontam risco de diluição e dificuldade em acompanhar tantos aumentos de capital.

O BCP vai avançar já na próxima semana com o sexto aumento de capital desde 2008, procurando captar, junto dos investidores, 1,33 mil milhões de euros e elevando para quase seis mil milhões o total angariado junto dos acionistas.

A operação, que prevê a emissão de 14 milhões de ações a 9,4 cêntimos cada, tem já compradores assegurados: os chineses da Fosun já garantiram a compra de títulos suficientes para elevar a participação de 16,7% para 30% e, para garantir que o aumento de capital é totalmente subscrito, um sindicato bancário tomou firme a aquisição dos títulos que ficarem no mercado.

Para os pequenos investidores, vale a pena ir ao aumento de capital do BCP? Contactados pelo Dinheiro Vivo, os analistas referem que as participações dos atuais investidores ficarão diluídas caso não acompanhem a operação mas admitem que nem todos têm capacidade para fazer face a tantos aumentos de capital.

“Os investidores podem ver este aumento de capital com otimismo se o considerarem para um período temporal alargado”, refere António Duarte, gestor da XTB. Contudo, analisando a operação no curto prazo, “como até já pudemos verificar, não foi positivo nem creio que venha a ser tão cedo”.

“O que é obrigatório compreender é que nem todos os investidores têm a capacidade de acompanhar todos os aumentos de capital que o banco já fez e que se a estratégia passar por ir aumentando permanentemente o capital, os investidores vão ver as suas posições cada vez mais diluídas e cada vez mais longe de recuperarem os seus investimentos iniciais”, acrescenta.

“O BCP fica com o seu capital diluído. Acredito que a maior parte dos investidores particulares já não consiga acompanhar este aumento, por sua vez veem as suas ações a caírem cada vez mais e o efeito no curto prazo não é positivo”, frisa.

Uma visão partilhada por Albino Oliveira, da Patris Investimentos. “Para os atuais acionistas do banco, a operação é diluitiva tendo em conta a sua dimensão e o forte aumento na base de capital (o que provocou uma forte queda na cotação nos últimos dias)”, refere o analista.

O BCP está a levantar junto do mercado o equivalente a 133% da sua capitalização bolsista à data de quinta-feira. Hoje, as ações já voltaram aos ganhos perante a perspetiva de distribuição de dividendos sobre 40% dos resultados, provavelmente em 2019.

Para Albino Oliveira, a atratividade do aumento de capital “dependerá das expectativas que cada investidor terá para a evolução dos resultados do banco, nomeadamente no que se refere à capacidade de serem atingidos os objetivos que o BCP apresenta no seu plano de negócios”.

Já o analista da XTB acredita que o regresso aos lucros e dividendos, “a serem considerados, será num período de pelo menos dois anos”.

“Ainda que sejam considerados, será para os investidores mais otimistas, pois em dois anos, não serão só as CoCo’s a causar preocupação” – o aumento de capital permitirá devolver os 700 milhões de euros de empréstimo do Estado, ou CoCos, que o banco ainda tem e serão pagos até 10 dias úteis após a conclusão do aumento de capital, ou seja, a até 17 de fevereiro.

Para Albino Oliveira, “mantendo-se inalterado o atual ambiente de baixas taxas de juro e fraco crescimento do crédito, o regresso aos lucros e ao pagamento de dividendos estará provavelmente dependente da redução no ritmo de constituição de provisões (após os fortes montantes reconhecidos nos 2º e 3º trimestre de 2016) e na implementação de novas medidas de redução de custos / aumento da eficiência”. O analista lembra ainda que o plano de negócios considera as duas vias para chegar a um ROE (rentabilidade) de cerca de 10% no final de 2018.

“Com esta operação, o BCP consegue reembolsar as obrigações CoCo ainda na posse do Estado e aproximar o rácio de capital FL CET1 da média do setor. Ganha também maior flexibilidade para conseguir voltar a equacionar o pagamento de dividendos consoante a evolução do seu ROE no futuro”, refere.

Questionados sobre se é expectável que a Sonangol – o maior acionista do BCP até novembro, quando entrou a Fosun – vai acompanhar o aumento de capital, uma vez que o banco já fez saber que não tem informação sobre as intenções do acionista angolano, Albino Oliveira considera difícil prever, embora admita que o pedido ao BCE para elevar a participação permita antecipar que haverá uma compra de ações com algum peso.

“O facto de ter solicitado essa autorização sugere que a Sonangol poderá ter interesse não só em acompanhar mas inclusivamente em aproveitar a operação para reforçar a sua participação, confirmando assim uma posição de relevo no capital do BCP em conjunto com a Fosun”, refere.

Já António Duarte lembra que “a Fosun já é a maior acionista do banco e a Sonangol também sabe que esse facto já era suposto, logo, pode não ter muito interesse em reforçar o seu capital e até pelas suas próprias circunstâncias podem não ter a capacidade para o fazer nos moldes que desejavam”.

O aumento de capital do BCP, reservado a acionistas, arranca a 19 de janeiro mas a partir de dia 17 as ações já negoceiam sem direito a participar no aumento de capital.

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