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Esta é a noite do BCP. Contas à hora dos stress tests

Banco deverá revelar resultados positivos nas avaliações realizadas no âmbito do Mecanismo Único de Supervisão.

O BCP vai estar noite divulgar as suas contas semestrais. A hora é pouco convencional mas fácil de explicar: a divulgação e conferência de imprensa, marcada para as 21h, visa a divulgação dos resultados do primeiro semestre à mesma hora que a Autoridade Bancária Europeia (EBA) divulga os resultados dos ‘stress tests’ realizados à banca europeia.

Os resultados do BCP estiveram marcados para quarta-feira mas, no próprio dia, o banco adiou a apresentação, justificando com o querer revelar contas ao mesmo tempo que os ‘stress tests’ eram revelados. O mercado reagiu com surpresa e as ações chegaram a afundar 7%, com os analistas contactados pelo Dinheiro Vivo a referir que os investidores estavam com receio de que fosse necessário um aumento de capital no banco.

Afinal, a razão será outra. O BCP, mesmo não estando incluídos no grupo de 51 bancos que representam 70% dos ativos da zona euro e que cujos resultados dos testes serão revelados esta noite pela EBA, continua a ser escrutinado e terá resultados destas avaliações para revelar.

Assim, o banco pediu autorização ao BCE para mostrar os seus indicadores, mesmo não estando incluído na lista da EBA – uma informação que foi avançada pelo Negócios e confirmada pelo Dinheiro Vivo. BPI e CGD também estarão neste grupo mas as avaliações a que os três bancos portugueses estão sujeitos não se podem considerar ‘stress tests’.

Como confirmou fonte oficial da EBA ao Dinheiro Vivo, não há bancos portugueses na lista de bancos avaliados nestes ‘stress tests’ mas os bancos nacionais “vão continuar a ser seguidos pelas autoridades compententes como parte do processo de supervisão e avaliação (SREP) no âmbito do mecanismo único de supervisão”.

A indicação de que o banco revelaria bons resultados na avaliação levou as ações do BCP a recuperar e hoje, em dia de divulgação de contas, seguem a subir 2,65%, mesmo com os analistas a antecipar uma queda de 74% nos lucros. O BCP chumbou os ‘test stress’ de outubro de 2014 mas, como já tinha entretanto avançado com uma capitalização de 2,25 mil milhões de euros, não foram necessárias medidas adicionais.

Leia também: Moody’s: Banca portuguesa não vai melhorar até 2018

Os ‘stress tests’ de hoje vão revelar a situação dos maiores bancos europeus, com os olhos voltados sobretudo para a banca italiana, que está a viver uma crise devido ao crédito malparado e precisa urgentemente de ser capitalizada. Os olhos vão estar sobretudo no banco Monte dei Paschi di Siena, considerado o mais problemático, até porque o BCE impôs uma redução de crédito malparado que pode obrigar a uma injeção de cinco mil milhões de euros no banco. As necessidades imediatas são de 500 milhões e os fundos de pensões podem ser chamados a ajudar.

Também o Deutsche Bank tem provocado algum nervosismo, depois de vários relatórios apontarem riscos no banco alemão e do chumbo nos ‘stress tests’ da Alemanha. O próprio banco diz que são precisos 150 mil milhões para salvar a banca europeia e os analistas dizem que esse valor pode mesmo não ser suficiente.

A banca portuguesa, pelo menos, precisa de mais capital e é atualmente uma das principais causas para o fraco crescimento do país, segundo a Moody’s.

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