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BCP e BEI emprestam 150 milhões de euros a PME afetadas pelos fogos

Eucaliptos. Fotografia: D.R.
Eucaliptos. Fotografia: D.R.

BEI empresta 75 milhões ao BCP e este "compromete-se" a vender esses fundos baratos e mais 75 milhões de euros da sua parte às PME das regiões Norte e Centro.

As pequenas e médias empresas afetadas pelos fogos florestais em Portugal durante 2017 no norte e no centro do país vão poder contrair empréstimos “em condições vantajosas” no valor global de 150 milhões de euros, no âmbito de um acordo assinado entre o Millennium BCP e o Banco Europeu de Investimento (BEI).

O acordo foi assinado esta quinta-feira entre o vice-presidente do BEI com a tutela de Portugal, Román Escolano, e o seu homólogo do BCP, João Nuno Palma.

O esquema é o seguinte. “O BEI concedeu um empréstimo de 75 milhões de euros ao Millennium BCP para fornecer financiamento em condições vantajosas às empresas afetadas pelos incêndios florestais”.

O BEI é um banco público europeu, mas grossista. Ou seja, não empresta diretamente às empresas, necessitando assim dos bancos de retalho para fazer chegar o crédito à chamada economia real.

Recorde-se que, ao contrário dos bancos portugueses e de muitos por essa Europa fora, o BEI tem um rating máximo AAA, pelo que o custo do seu financiamento é mínimo, quase zero.

Por seu turno, o Millennium BCP vai repassar estes fundos e “compromete-se a responder ao empréstimo do BEI com um valor igual ou superior”, diz uma nota do BEI, divulgada esta quarta.

Assim, o dinheiro a disponibilizar no âmbito desta operação de crédito relativamente barato às empresas de menor dimensão que operam nas áreas devastadas pelas tragédias de junho e outubro deve ascender a pelo menos 150 milhões de euros.

O banco europeu espera que estes fundos “fomentem o crescimento económico e a criação de emprego nas áreas afetadas pelos incêndios florestais que se espalharam pelo Norte e pelo centro de Portugal em 2017”.

“Este contrato permitirá a transferência das vantagens de financiamento do BEI, em termos de vencimentos longos e taxas de juros baixas, às empresas portuguesas que necessitem de comprar ou substituir máquinas, instalações ou financiamento de capital, em resultado da destruição causada pelos incêndios”, explica esta instituição, que também é por parte dos fundos do Plano Juncker.

O Dinheiro Vivo questionou Román Escolano, do BEI, sobre se nos últimos meses houve algum aumento nas propostas dirigidas ao BEI por causa dos incêndios.

O gestor espanhol disse que sim. “O governo português mobilizou-se nesse sentido”, “tivemos uma reunião logo em setembro” e “continuamos a trabalhar proximamente com o ministro das Infraestruturas, Pedro Marques”.

Empregados do BEI deram meio milhão de euros

O vice-presidente do BEI revelou ainda que os empregados da instituição reuniram-se para juntar dinheiro em solidariedade com as vítimas dos incêndios. “O nosso staff fez um donativo de meio milhão de euros, a maior contribuição alguma vez feita pela nossa instituição”, respondeu.

“Como parte da resposta do BEI aos incêndios florestais devastadores, em setembro passado, o BEI fez um donativo de 500.000 euros ao fundo REVITA, criado pelas autoridades portuguesas para ajudar a população local e que visa facilitar o financiamento da reconstrução de primeiras casas destruídas”, detalha a nota.

(atualizado às 16h00 com mais informação)

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