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BCP: Entrada da Fosun marca o fim de oito anos de liderança da Sonangol

Desde 2008, BCP já precisou de pedir perto de 4,5 mil milhões de euros aos seus acionistas, valor que contrasta com a sua capitalização em bolsa

A entrada do grupo chinês Fosun no capital do Millennium bcp trouxe consigo uma nova troca na maioria acionista do banco, acabando com oito anos de liderança por parte da angolana Sonangol, aquela que era a principal investidora na instituição liderada por Nuno Amado desde 2008, que caiu agora para o segundo posto.

Os chineses confirmaram há uma semana a compra de uma fatia de 16,7% do banco através de um aumento de capital exclusivo por 175 milhões de euros, operação que levou ao esmagamento das restantes posições acionistas. No total, o grupo Fosun tomou 157,4 milhões de ações do BCP através de um novo aumento de capital do banco, agora de 4,094 mil milhões para 4,27 mil milhões de euros. Este total de capital social contrasta com a capitalização bolsista atual da entidade, de pouco mais de 1,1 mil milhões de euros.

Como este aumento de capital foi exclusivo, os restantes acionistas não puderam comprar qualquer nova ação, pelo que o montante que têm em carteira, permanecendo inalterado, passou agora a valer menos face ao total. No caso da Sonangol, as suas 140,5 milhões de ações do banco passaram de representar 17,84% do Millennium, para pesar agora 14,87%.

Já o Sabadell, que antes detinha 5,07% do capital do BCP, viu o seu peso na estrutura acionista recuar para 4,23%, ao passo que o grupo InterOceânico, antes detentor de uma participação qualificada na instituição, ou seja superior a 2%, caiu abaixo desta fasquia com a entrada da Fosun. Já a EDP, antes detentora de 2,56%, terá permanecido com um peso pouco acima dos 2%.

Apesar do fim do “reinado” da Sonangol como maior acionista do BCP, a petrolífera já solicitou autorização ao Banco Central Europeu para, eventualmente, poder vir a reforçar a sua participação no banco para mais de 20%. Esta foi a razão para o recente adiamento da assembleia-geral do BCP, que irá votar o aumento do limite de votos de 20% para 30%. Além disso, a própria Fosun também admite aumentar o seu investimento até aos 30% do banco.

Trocas de liderança

Segundo uma compilação feita pelo Dinheiro Vivo no final de outubro, desde 2008 e até agora, o BCP já precisou de pedir perto de 4,5 mil milhões de euros aos seus acionistas.

A sequência de pedidos do BCP iniciou-se em abril de 2008, com a emissão de 1,08 mil milhões de ações a 1,2 euros. Seguiram-se, em 2011, a incorporação de reservas, com 206 milhões de ações, e outras 1,58 mil milhões em valores mobiliários (OPT) e uma nova entrada em ‘cash’, com 721,8 milhões de ações emitidas a 0,36 euros.

Em 2012, surge a emissão a 0,04 euros, com 12,5 mil milhões de ações a trazer 500 milhões de euros e a última entrada de dinheiro fresco ocorreu em julho de 2014, a 0,065 euros por ação, onde 35,5 mil milhões novos títulos deram 2,24 mil milhões. Por fim, a 20 de novembro passado, a Fosun avançou com mais 175 milhões de euros para o capital do banco.

A todas estas operações foram correspondendo diferentes alterações na estrutura acionista, e não só, do banco. Se no final de 2007, por exemplo, o maior acionista individual do BCP era o BPI, com pouco mais de 7,5% do banco, em junho seguinte essa posição já era detida pela Sonangol, com uma fatia de 9,9%. A petrolífera angolana acabaria por reforçar a participação até aos 14,6% no final de 2010 e atingindo os 19% no final de 2013.

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