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BCP. Fosun paga até 236 milhões no aumento de capital

Grupo chinês quer alargar presença no mercado europeu e africano.

A Fosun, que quer ficar com até 30% do capital do BCP via aumento de capital, propõe-se a pagar até 236 milhões de euros para ficar com os 16,7% definidos na primeira fase de aumento de capital, segundo um comunicado divulgado na página do grupo chinês.

A Fosun justifica o negócio considerando que “O BCP será uma importante plataforma de serviços financeiros para ajudar o grupo a alargar os seus negócios para a Europa e África”, segundo o comunicado. “O grupo acredita que a vertente internacional do BCP pode combinar o crescimento da China com recursos globais”.

A Fosun, dona da Fidelidade e do Hospital da Luz e que esteve na corrida ao Novo Banco no primeiro concurso, que foi cancelado, especifica que “o valor máximo considerado para o aumento de capital de 236 milhões de euros foi determinado baseado no preço máximo de subscrição” de 0,02 euros por ação (com o ajustamento do ‘reverse stock split’ que ainda tem de ser implementado e que junta 75 ações do banco numa só).

Ao que apurou o Dinheiro Vivo a operação prevê a emissão de 11,8 mil milhões de novas ações, a ser adquiridas pela Fosun, num valor total de 236,1 milhões de euros, representando 20% das ações do banco e 16,7% do capital social. Assim, o BCP, que tem atualmente pouco mais de 56 mil milhões de ações – o banco vale 1,2 mil milhões de euros a 0,02 euros por ação – ficará com 70,8 milhões de ações no total.

A emissão de novas ações vai implicar a diluição da participação dos atuais acionistas. Atualmente, o capital do BCP conta com a angolana Sonangol como a maior acionista, com 17,84% do capital, seguida do Sabadell (5,07%), da EDP (2,71%), BlackRock (2,22%) e da InterOceânico (2,05%). Considerando a totalidade dos acionistas, qualificados e não qualificados, perto de 54% do capital do Millennium bcp está em mãos portuguesas.

A concretização do negócio está sujeita a várias condições, nomeadamente a aprovação dos supervisores, o aumento dos limites de voto do BCP de 20% para 30% do capital, a implementação do processo de ‘reverse stock split’, a não contribuição para o Fundo de Resolução além das já previstas e dois administradores no ‘board’, incluindo-os também na comissão executiva.

A proposta da Fosun prevê ainda “a possibilidade do conselho de administração do BCP cooptar até um total de pelo menos 5 novos membros nomeados pela Fosun Industrial (ou suas afiliadas) para o conselho de administração do BCP em contexto e na proporção do aumento da participação da Fosun”.

O conselho de administração do BCP já disse que a proposta tinha pontos positivos e que ia ser analisada com celeridade.

Fosun quer alargar presença no mercado europeu e africano

O grupo chinês acredita que a entrada no BCP vai ajudar a empresa a chegar ao mercado europeu e africano. “O grupo planeia aplicar a capacidade de investimento e outros recursos para ajudar o banco a alargar o seu negócio financeiro relacionado com a região da China e também melhorar a rentabilidade do banco”.

O comunicado refere ainda que a transação vai “fortalecer a capacidade internacional dos serviços financeiros do grupo, incluindo a banca comercial internacional, a banca de investimento e a banca privada”.

Além disso, a transação também vai fortalecer a presença da Fosun em Portugal e ajudar o grupo a entrar na Polónia, Moçambique, Angola e Suíça com maior rapidez.

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