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BCP prepara emissão de dívida que vai contar como capital

Fotografia: António Pedro Santos / Lusa
Fotografia: António Pedro Santos / Lusa

O BCP mandatou bancos internacionais para realizarem reuniões para aferir se há condições de mercado para realizar uma emissão de dívida perpétua.

O Banco Comercial Português (BCP) planeia avançar para uma emissão de dívida subordinada perpétua que servirá para reforçar o seu capital. Essa operação envolve títulos Additional Tier 1 (AT1), semelhantes aos que foram emitidos pela Caixa Geral de Depósitos em 2017 no processo de recapitalização do banco público e pelas quais pagou um juro acima de 10%.

O BCP vai começar a sondar o interesse de investidores já esta quarta-feira. “O Banco Comercial Português, S.A. informa que mandatou o Millennium BCP, o Credit Suisse Securities, o J.P. Morgan e o UBS Investment Bank para organizarem um conjunto de reuniões com investidores qualificados em Lisboa, Londres e Paris, a terem lugar a 23 de janeiro”, diz o banco liderada por Miguel Maya em comunicado enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários.

Após tomar o pulso ao apetite e às exigências dos investidores, e dependendo das condições de mercado, “o banco poderá decidir realizar em seguida uma emissão de títulos de dívida subordinados perpétuos, denominada em Euros, a taxa fixa, com possibilidade de reembolso antecipado, por parte do Banco, a partir do final do 5.º ano”.

A operação contempla ainda perdas para os investidores se os rácios de capital do BCP passarem abaixo de determinado valor. Os títulos terão um “mecanismo de redução temporária do respetivo valor nominal em caso de verificação de um nível de fundos próprios principais de nível 1 de 5,125%”.O banco diz pretender que esta emissão “venha a preencher os requisitos regulamentares para poder ser classificada como instrumento de fundos próprios adicionais de nível 1”.

A dívida AT1 é a primeira a ser chamada a assumir perdas em caso de resolução de um banco. Como tem mais risco os investidores tendem a exigir juros mais elevados. O Banco Central Europeu (BCE) tem pedido ao setor que emita instrumentos financeiros elegíveis para cumprir os requisitos mínimos de passivos e fundos próprios suscetíveis de absorver perdas em caso de resolução.

A DBRS sublinhou, numa nota sobre estes títulos, que “as obrigações AT1 são muito subordinadas e constituem os instrumentos de dívida mais juniores do banco”. Devido a esses riscos, a agência canadiana atribui uma notação de B baixo à emissão (o sexto nível de lixo). É uma nota cinco níveis abaixo do rating intrínseco que tem para o BCP. A Fitch também classifica os títulos AT1 do BCP em B-.

(Atualizada às 11:45 com informação de agências de rating)

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