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BCP prevê voltar aos lucros e pagar dividendos em 2018

Nuno Amado, presidente do BCP
Nuno Amado, presidente do BCP

Aumento de capital de 1,3 mil milhões arranca na próxima semana e permite pagar 700 milhões ao Estado em fevereiro. Salários serão repostos em julho

O aumento de capital de 1,33 mil milhões de euros do BCP, que arranca na próxima semana, vai permitir ao banco regressar aos lucros e ao pagamento de dividendos. A normalização do banco liderado por Nuno Amado vai começar já em 2017 e o objetivo é atingir uma rentabilidade de 10% em 2018.

A equipa de gestão do BCP, liderada por Nuno Amado, vai agora arrancar para um roadshow (encontro com investidores), com o objetivo de encontrar comprador para os mais de 14 milhões de ações que serão emitidas a 9,4 cêntimos cada, uma operação que vale 133% do atual valor de mercado do BCP.

O banco tem sido (ainda mais) castigado em Bolsa desde o anúncio do aumento de capital, tendo já desvalorizado cerca de 200 milhões de euros de capitalização desde o anúncio da operação. O aumento de capital passa pela criação de 15 novas ações por cada ação existente e decorrerá entre 19 e 30 de janeiro, com a transação das novas ações a acontecer a 9 de fevereiro.

O objetivo imediato é pagar ao Estado os 700 milhões de euros de capital contingente (CoCos), o que acontecerá até 10 dias após a conclusão da operação, ou seja, 17 de fevereiro. O banco deixará assim de estar sujeito a algumas restrições – outras mantêm-se até ao final de 2017, salvo dispensa de Bruxelas – e aproveitará para, em julho, repor já os salários dos trabalhadores, que sofreram cortes a rondar os 12%. Não está prevista ainda a reposição dos cortes da equipa de gestão. Além disso, o banco deixará de estar sujeito aos juros destas obrigações, de 65 milhões/ano – o BCP pagou mais de 700 milhões de juros com os CoCos.

A ida ao mercado visa ainda ajudar o banco a cumprir o seu plano estratégico, que ficou comprometido devido à crise dos últimos anos, sobretudo com a forte quebra na construção em 2015 e em 2016. O objetivo é o fortalecimento do balanço (para um CET1 de 11,4%, contra os 9,5% atuais), o regresso à rentabilidade, a capacidade de gerar capital, a redução das exposições não produtivas, que têm vindo a ser cortadas ao ritmo de mil milhões/ano desde 2013, e a defesa da presença internacional.

Gestão promete dividendos

Com o fim de alguma das restrições graças ao reembolso dos CoCos, o BCP voltará a estar em condições legais de pagar dividendos, faltando então gerar resultados positivos.

A estimativa mais otimista da gestão do banco, que neste momento está focada em angariar investidores para o aumento de capital, promete a existência de remuneração acionista sobre os resultados de 2018, ou seja, a pagar em 2019, numa distribuição que deverá ser de “pelo menos 40% do eventual lucro de 2018 ”.

O aumento de capital poderá levantar reservas junto dos pequenos investidores, que estão a lidar com o sexto reforço de capital do BCP desde 2008, captando quase seis mil milhões de euros. Visão oposta terão os acionistas de referência, sobretudo a Fosun, recém-chegada e já a maior acionista e que vai aproveitar o aumento de capital para reforçar a sua posição. A Fosun já “apresentou uma ordem irrevogável de subscrição antecipada de um número de ações que lhe pode permitir passar a deter até 30% do capital social”.

Sobre um potencial reforço da Sonangol, de Isabel dos Santos, o banco não divulgou informação, mas a petrolífera angolana – que era até à entrada da Fosun o maior acionista – tem acompanhado todos os aumentos de capital. Além disso há um sindicato de bancos que já assegurou a “tomada firme da emissão de direitos”.

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