Banco de Portugal

BdP. Riscos financeiros do país na mesma apesar da retoma

"O elevado endividamento do sector público e do setor privado e o baixo crescimento potencial continuam a colocar riscos para a estabilidade".

Tudo praticamente na mesma. Os riscos financeiros da economia portuguesa são significativos e parecem não recuar, apesar da retoma em curso e da melhoria dos indicadores de confiança no país. A dívida extremamente elevada é o maior perigo, a falta de potencial da economia também não ajuda a dissipar este ambiente arriscado face a possíveis subidas de taxas de juro e outros eventos futuros.

De acordo com o Banco de Portugal, que apresentou o Relatório de Estabilidade Financeira relativo ao primeiro semestre deste ano (edição de junho de 2017) nesta terça-feira, “a natureza dos riscos para a estabilidade financeira praticamente não se alterou em relação à edição de novembro”.

Recorde-se ainda que o Novo Banco e a CGD continuam a ser vistos como as maiores fontes de risco para as contas públicas, por exemplo.

A instituição governada por Carlos Costa repara que a dívida pública e privada continua a ser o maior bloqueio da economia: “Embora as perspetivas para a economia portuguesa tenham melhorado e pareça existir uma perceção mais favorável dos investidores internacionais relativamente à situação orçamental, económica e ao setor bancário em Portugal, o elevado endividamento do sector público e do setor privado e o baixo crescimento potencial continuam a colocar riscos para a estabilidade financeira”, refere o Banco.

Quando os juros começarem a subir

O Banco de Portugal avisa ainda que “num cenário de aumento das taxas de juro, a qualidade de crédito das instituições financeiras nacionais poderá ser negativamente afetada, sobretudo se a recuperação económica em Portugal não acompanhar o desempenho da área do euro”.

Assim, “é essencial persistir na redução sustentada da dívida pública, assente numa trajetória de consolidação orçamental, prosseguir a desalavancagem das empresas e das famílias e, simultaneamente, privilegiar políticas que estimulem a competitividade e o crescimento potencial da economia”.

Os bancos e o resto do sector financeiro nacional também continuam vulneráveis, apesar da limpeza de balanços, e continuam a ser “condicionados” no acesso aos mercados de capitais mundiais.

O BdP vê “vulnerabilidades, não obstante os importantes progressos alcançados ao longo dos últimos anos na redução do rácio de transformação, no reforço da solvabilidade e na promoção da eficiência operacional”.

Assim é porque o “elevado nível de ativos não produtivos, a fraca rendibilidade e a exposição ao soberano e a economias de mercado emergentes com quebra de atividade tendem a agravar a perceção dos investidores acerca da qualidade dos ativos das instituições de crédito e, desta forma, a condicionar o acesso aos mercados financeiros internacionais”.

Quando juros subirem, o que acontece ao risco de crédito?

O banco central tem ainda muitas dúvidas sobre se os bancos estão a proteger-se contra o risco de crédito (novo malparado, por exemplo), que tenderá a aumentar à medida que as taxas de juro forem subindo num futuro próximo.

Primeiro, o BdP recorda que, a nível micro, “o ambiente prolongado de baixas taxas de juro coloca pressão adicional sobre a margem financeira e a rendibilidade do setor bancário nacional, dada a relevância nas carteiras de crédito dos empréstimos concedidos a taxas de juro indexadas e maturidades longas”.

A nível macro, “num ambiente prolongado de baixas taxas de juro e perante requisitos contabilísticos e regulamentares mais exigentes, poderão gerar-se incentivos a uma maior assunção de riscos por parte das instituições financeiras”.

Por isso, o banco central avisa que “é fundamental que as instituições financeiras avaliem corretamente e de forma prospetiva o risco inerente aos novos fluxos de crédito, principalmente a capacidade de crédito dos mutuários para além do colateral dado em garantia, garantam o cumprimento estrito dos planos de redução do stock de créditos não produtivos e prossigam o ajustamento do modelo de negócio e da estrutura de custos”.

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