Banco de Portugal

BdP vai divulgar relatório dos grandes devedores mas incompleto

A data para divulgação do relatório ainda vai ser definida com a Assembleia da República. A informação abrangida pelo segredo bancário fica de fora.

Já chegou à Assembleia da República o relatório com a lista dos chamados grandes devedores da banca. O documento deu entrada ao final da tarde desta quinta-feira, no prazo limite, refere uma nota do Banco de Portugal.

O relatório extraordinário pedido pelos deputados vai ser divulgado publicamente, mas de forma amputada, pois as informações sob segredo bancário serão excluídas. “O Relatório Extraordinário será disponibilizado no site do Banco de Portugal, à exceção da informação abrangida pelo segredo bancário, em data a definir com a Assembleia da República (AR)”, refere a nota do supervisor divulgada quase em simultâneo com um comunicado da AR.

A informação que chegou ao parlamento abrange todas as instituições bancárias que recorreram a fundos públicos nos últimos 12 anos, “designadamente sobre as grandes posições financeiras das instituições de crédito abrangidas no momento da disponibilização de fundos públicos e nos cinco anos anteriores”, sublinha a instituição liderada por Carlos Costa.

Na nota, o banco central nacional refere que “em causa estão posições financeiras de montante agregado superior a 5 milhões de euros, desde que igual ou superior a 1% do valor total dos fundos públicos mobilizados para essa instituição”, lembrando que “a informação reportada compreende informação abrangida pelo segredo bancário, nos termos da lei.”

A entrega do documento à Assembleia da República acontece depois de em fevereiro o Parlamento ter aprovado uma lei que obrigava o Banco de Portugal a fazer um relatório extraordinário com a informação sobre os devedores das instituições financeiras que tinham beneficiado do apoio de fundos públicos nos últimos 12 anos. Em causa estão os grandes devedores não só da Caixa Geral de Depósitos, mas também do BES/Novo Banco, BCP, BPI, Banif e BPN.

Os responsáveis dos bancos têm recomendado cautela com a informação desse relatório. Miguel Maya, presidente executivo do BCP, pediu esta quarta-feira uma atitude de “reserva” em relação a alguns grandes devedores do banco, nomeadamente os que estão em processo de reestruturação financeira, para não colocarem em risco essa recuperação.

Notícia atualizada às 20:49 com mais informação

Com Rui Barroso

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