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Berardo diz que “pessoalmente” não tem dívidas e não abdica da coleção de arte

Joe Berardo. Fotografia: António Cotrim / LUSA
Joe Berardo. Fotografia: António Cotrim / LUSA

José Berardo diz que “pessoalmente não tem dívidas”. E recusa abdicar da coleção de arte para pagar aos bancos.

“Eu pessoalmente não tenho dívidas. Claro que não tenho dívidas”, afirmou José Berardo aos deputados na II Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão da CGD. O empresário tinha explicado que nunca iria dar avales pessoais para financiamentos com o objetivo de investir em ações. No entanto, em 2008 o empresário deu títulos da Associação Coleção Berardo como garantia. Mas diz que não vai abdicar das obras de arte.

“Nunca ia dar a coleção que faz parte da minha vida”, disse Berardo. Segundo uma versão preliminar da auditoria da EY, a Fundação Berardo e a Metalgest deviam, no final de 2015, um total de 320 milhões à CGD. Desse montante, o banco público tinha assumido perdas superiores a 152 milhões de euros.

Berardo é ainda um dos grandes devedores do BCP e do Novo Banco, com empréstimos próximos de cerca de 960 milhões de euros. Esses bancos deram ordem para executar bens do empresário madeirense e de empresas relacionadas com Berardo.

Eles não têm a coleção, eles têm é títulos da coleção.”

Segundo o Jornal Económico, querem executar a garantia de 100% dos títulos da Associação Coleção Berardo, que terá sido avaliada por especialistas em 500 milhões de euros. “Eles não têm a coleção, eles têm títulos da coleção”, diz Berardo em respostas a questões de Mariana Mortágua.

A deputada do Bloco de Esquerda confrontou o empresário com o reforço de 150 milhões que fez em 2008 na coleção, quando deixou de pagar os juros do empréstimo à CGD. “Algum empréstimo que fizesse. Não me lembro”, respondeu.

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