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Joe Berardo: “Tenho servido de bode expiatório”

O empresário Joe Berardo à chegada para a sua audição perante a II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, na Assembleia da República, em Lisboa, 10 de maio de 2019. ANTÓNIO COTRIM/LUSA
O empresário Joe Berardo à chegada para a sua audição perante a II Comissão Parlamentar de Inquérito à Recapitalização da Caixa Geral de Depósitos e à Gestão do Banco, na Assembleia da República, em Lisboa, 10 de maio de 2019. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

Berardo diz que não quis ofender ninguém, mas que não vai aceitar passivamente ser tratado como “bode expiatório".

É o contra-ataque de Joe Berardo. O empresário madeirense emitiu um comunicado esta quinta-feira em que acusa estar a ser tratado como o “bode expiatório de todos os males do sistema financeiro português desde 2007”, desde que foi ouvido na nova comissão parlamentar de inquérito à gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

“Não vou aceitar passivamente”, frisou Berardo no mesmo comunicado, que surge depois da polémica que se levantou desde que o empresário foi ouvido pelos deputados. “Na minha vida já estive envolvido em muitas batalhas. Esta é apenas mais uma e, por certo, não será a última”, sublinhou.

“Tenho de admitir que, no calor da discussão me excedi, dando algumas respostas impulsivas e não devidamente ponderadas”, adiantou. “Durante 5 horas e 30 minutos fui sujeito a um intenso interrogatório regido por regras políticas que não domino, nem quero dominar”, disse ainda o empresário. Mas sublinhou que não foi sua intenção “ofender quem quer que seja, muito menos faltar ao respeito devido à Assembleia da República”.

O empresário foi chamado à comissão por ser um dos grandes devedores do banco público devido a créditos obtidos sem as devidas garantias estarem asseguradas. Entre as frases polémicas está aquela em que o empresário afirmou que pessoalmente, não tem dívidas. O facto de Berardo se ter apresentado na comissão muito sorridente alimentou ainda mais a polémica.

Berardo diz que teria sido mais fácil “não responder às perguntas” e esconder-se “em ataques de amnésia seletiva, como tem acontecido com frequência nesta comissão”. “Não o fiz por respeito ao Parlamento e aos portugueses”, afirmou.

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal e ex-administrador da CGD, foi um dos responsáveis ouvidos na comissão que respondeu não ter recordação de alguns factos. O mesmo sucedeu com Vítor Constâncio, ex-governador do Banco de Portugal.

Joe Berardo lamentou ainda que “quase ninguém” na comissão o tivesse questionado “sobre o objeto dessa mesma comissão, a recapitalização da Caixa e os atos de gestão da mesma”.

Concluiu a nota com a frase: “adoro o meu país e jamais foi minha intenção ofender os meus compatriotas”.

Com a sua audição ficou a saber-se que Berardo blindou a sua coleção de arte – que está em exposição permanente no Centro Cultural de Belém -, nomeadamente com uma alteração aos estatutos da Associação que detém a coleção. São títulos desta Associação que foram dados como garantia de empréstimos à CGD, mas também ao Millennium bcp e ao Novo Banco. Estes três bancos avançaram com uma ação conjunta na justiça para tentar reaver parte dos quase 1000 milhões de euros de dívidas de Joe Berardo.

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