BES poderá aumentar capital até 3000 milhões de euros

BES apresentou prejuízo histórico
BES apresentou prejuízo histórico

O Banco Espírito Santo (BES) está num verdadeiro contra-relógio para reforçar os capitais do banco. Com os testes de stress, e exercícios de avaliação da qualidade de ativos à porta, a necessidade de reforçar a solidez do banco é ainda mais urgente e os analistas falam em cerca de 3000 milhões de euros

Os prejuízos semestrais históricos de
3,57 mil milhões de euros, engoliram a almofada financeira de 2
mil milhões de euros que o BES tinha para acomodar eventuais perdas
com o Grupo Espírito Santo (GES) e atiraram o rácio de solidez para
5%. Isto quando o mínimo exigido pelo Banco de Portugal é de 7%.

O próprio regulador – que garantia
que a almofada financeira cobria todos os riscos – foi apanhado de
surpresa com os resultados. Segundo um comunicado do Banco de
Portugal, “factos supervenientes, identificados pelo auditor
externo apenas na segunda quinzena de julho e com um impacto negativo
de cerca de 1,5 mil milhões de euros, vieram alterar
substancialmente o valor das perdas a reconhecer na conta de
resultados do primeiro semestre, pondo em causa o cumprimento dos
rácios mínimos de solvabilidade vigentes”.

Deste montante, a maioria resultou de
uma provisão extra de 856 milhões de euros, depois do conselho de
administração ter tomado “conhecimento da existência de duas
cartas emitidas pelo BES a benefício de entidades credoras da
Espirito Santo International, cuja aprovação não havia sido
realizada de acordo com os procedimentos internos instituídos no
Banco, nem constava dos seus registos contabilísticos a 30 de
junho”, refere o banco nas contas.

Já 144 milhões resultam de uma
provisão que o BES contituiu face à exposição à Rioforte, depois
de o banco ter assumido a responsabilidade do reembolso do papel
comercial do BES.

O BESA levou à constituição de
provisão de 247,2 milhões de euros, as imparidades com a
participação da Portugal Telecom levaram 106,1 milhões de euros.

Além disso, foram contabilizados 75,4
milhões de euros relativos ao agravamento no risco de contrapartes
(CVA – Credit Value Adjustment) de taxas de juro swaps de operações
de project finance e feita uma provisão de 121 milhões de euros
relativa a emissão de instrumentos financeiros e consolidação de
SPE (Special Purpose Entities). Contas feitas, foram mais de 1500
milhões de euros que o banco perdeu, além do que o regulador
previa.

Perante estes números, os analistas
estimam que aumento de capital possa rondar os 3000 milhões de
euros, de modo a garantir uma margem de manobra, tal como o atual CEO
do BES referiu. “Este plano de capitalização deverá,
desejavelmente, contemplar uma almofada de precaução”,adiantou
Vitor Bento, num comunicado onde explica a estratégia de recuperação
do BES.

Segundo, as contas dos analistas do
suíço UBS o BES precisa de três mil milhões de euros para
alcançar um rácio de capital Tier I de 9%. Em Junho este indicador
estava em 4,1%. Já o norte-americano Citigroup avançou com uma
estimativa de aumento de capital entre 1,4 e 2,4 mil milhões de
euros no banco português. Por sua vez, o japonês Nomura antecipa
uma injecção mínima de mil milhões, que pode contudo chegar a
três mil milhões se o banco quiser recuperar os rácios que
apresentava antes desta crise.

Os analistas do BPI apontam que, para
se atingir um rácio Tier I de 10% o BES irá necessitar de uma
injecção de 3,5 mil milhões de euros.

Além das necessidades de capital, o
mercado também questiona sobre se o banco se conseguiria
recapitalizar exclusivamente através de fundos privados.

Para já Vítor Bento afasta a
necessidade de recorrer à ajuda pública. Em comunicado, o CEO BES
explicou que, “nas últimas semanas, o banco tem assistido a
manifestações de interesse de atuais e potenciais acionistas em
participar no plano de capitalização, alguns expressando mesmo
interesse em tomar participações significativas”.

O Dinheiro Vivo questionou os
acionistas Crédit Agrícole (14,6%), Bradesco (3,9%) e Portugal
Telecom (2,1%) sobre se pretendem acompanhar e reforçar no aumento
de capital do BES. Fonte oficial do Bradesco não quis fazer
comentários mas, segundo avançaram fontes próximas às Bloomberg,
o acionista brasileiro não terá interesse em participar no aumento
de capital do BES. A Portugal Telecom e o Crédit Agrícole
remeteram-se ao silêncio.

A Espírito Santo Financial Group
(ESFG) que detém 20,1% do BES – e pediu recentemente a proteção de
credores no Luxemburgo – ficou inibida de direito de voto por
indicação do Banco de Portugal.

O consultor financeiro do BES –
Deutsche Bank – já tem estado em conversações com potenciais
investidores interessados em participar no aumento de capital, que
terá, primeiramente, de ser aprovado em assembleia geral de
acionistas.

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