BES tem capital para acomodar perdas do GES

Ricardo Salgado, presidente do BES
Ricardo Salgado, presidente do BES

Doze horas depois de as ações do BES terem sido suspensas veio o esclarecimento: o BES tem uma almofada financeira de 2100 milhões de euros, mais do que o valor da exposição direta do banco às empresas do Grupo Espírito Santo (GES) - 1183 milhões - e dos clientes de retalho (853 milhões).

No documento publicado na Comissão do Mercado de Valores
Mobiliários (CMVM), o BES detalha a exposição direta e através
dos seus clientes, que no total chega a 2036 milhões de euros. Ou
seja, num cenário de incumprimento do GES, o banco teria capital
suficiente para absorver perdas e permanecer com um rácio de capital
em linha com o mínimo exigido pelos reguladores.

Estes valores vêm confirmar o que Carlos Costa voltou reforçar
ontem: “Os depositantes podem estar tranquilos. Tendo em conta a
informação reportada pelo BES e pelo seu auditor externo (KPMG), o
banco detém um montante de capital suficiente para acomodar
eventuais impactos negativos decorrentes da exposição assumida
perante o ramo não financeiro do GES sem pôr em causa o cumprimento
dos rácios mínimos”, adiantou o regulador. Também a Comissão
Europeia afirmou que não há “qualquer razão” que justifique
preocupação em relação ao BES.

O banco não adiantou, no entanto, quais poderão ser as perdas
potenciais com a exposição que tem ao GES, uma vez que este ainda
não publicou o seu plano de reestruturação (o que deverá
acontecer até ao final do mês). Mas, segundo a unidade de research
do BPI, a exposição direta e indireta do BES ao GES é 850 milhões
de euros superior ao anteriormente mencionado. O BPI chegou a uma
exposição direta e indireta de 4465 milhões. Nos cálculos da
exposição total, a unidade de research do BPI incluiu a dívida dos
clientes institucionais, bem como à Escom, empresa que o GES diz ter
já acertado a venda, e ainda as garantias prestadas a empresas do
GES.

Apesar de os analistas considerarem positiva a divulgação do
esclarecimento, revelam que não foi fornecida qualquer informação
sobre se existem provisões já constituídas para fazer face a esta
exposição.

Mas mesmo perante um cenário de maior impacto negativo da
reestruturação na Espírito Santo Internacional (ESI) e no BES
Angola (ver texto em baixo), o Dinheiro Vivo sabe que estão
previstas algumas medidas. Como um segundo aumento de capital. Fontes
próximas asseguram que, a ser necessário, seria sempre de um valor
inferior ao último (de 1045 milhões de euros). Em última
instância, o BES poderá ainda recorrer à linha de recapitalização
– à semelhança do que fizeram BCP, BPI e Banif -, que ainda dispõe
de seis mil milhões. Um cenário que fontes próximas do processo
acreditam ser pouco provável e que o próprio primeiro-ministro
afastou ontem. “Não há razão para que haja necessidade de
intervenção do Estado num banco que tem capitais próprios sólidos,
que apresenta uma margem confortável para fazer face a todas as
contingências, mesmo que se revelem absolutamente adversas, o que
não acontecerá com certeza”, disse.

O banco revela que a exposição dos clientes institucionais às
empresas do grupo supera 2 mil milhões. Sendo que o BES não se
responsabiliza pelas perdas potenciais de investidores
institucionais, uma vez são considerados “investidores
qualificados”, ou seja, com maior capacidade para avaliar o risco.

Ontem soube-se também mais um nome para o Conselho de
Administração do BES: José Honório, antigo presidente da
Portucel, proposto pela ESFG.

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