BIC pode desistir de comprar o BPN

Mira Amaral recusa falar mais sobre BPN
Mira Amaral recusa falar mais sobre BPN

A venda do BPN ao angolano BIC está em risco, depois de Bruxelas
ter vetado uma cláusula do acordo de compra que previa que o BIC
tivesse acesso a uma linha de crédito de 300 milhões de euros, sem
juros, avalizada pelo Governo. A Comissão Europeia, que está a
analisar o negócio desde outubro, vê aqui uma ajuda estatal
encapotada e exige que seja aplicada uma taxa de juro não inferior a
3%.

Acontece que o BIC não é um comprador entusiasmado ou
especialmente determinado, sabe o Dinheiro Vivo. E, a menos que
Lisboa consiga convencer Bruxelas de que os benefícios excedem os
contras do negócio – as negociações estão a correr, confirmou o
Ministério das Finanças esta semana -, uma mudança das regras a
meio do jogo pode fazer que o banco liderado por Mira Amaral recue e
o monstro BPN volte às mãos do Governo.

O presidente do BIC, Luís Mira Amaral, recusa-se a falar do
assunto. “Não falo mais sobre o BPN, estou farto desse
folhetim. O Governo que fale desse assunto”, disse, contactado
pelo Dinheiro Vivo.

Acontece que o dossiê BPN e as relações com o BIC não se
esgotam no próprio banco. Há outros equilíbrios difíceis em jogo.

Os principais acionistas do BIC são Américo Amorim e Isabel dos
Santos, cada um com uma participação de 25% no banco. Através da
Amorim Energia (participada a 45% pela Sonangol), Américo Amorim
controla 33,34% da Galp, uma fatia exatamente igual à da italiana
ENI que está vendedora da sua posição (cerca de 3,7 mil milhões
de euros, a preços de mercado). E a Sonangol quer comprar pelo menos
metade dessa participação.

O Governo português não quer que a empresa angolana tenha
demasiado controlo na Galp, pelo que o remanescente da posição da
ENI poderá ser vendida a investidores nacionais. “Portugal quer
manter alguma presença nesta alienação da ENI, através de
empresas portuguesas”, confirmou Batista Sumbe, administrador da
Sonangol, no final do mês passado.

Ainda na quinta-feira, na apresentação do plano estratégico, o
presidente da empresa italiana, Paolo Scaroni, disse que não tinha
pressa na venda da participação na Galp, mas que “o mais
provável” era que esta se concretizasse “antes de 2014”
– quando termina o acordo parassocial – de forma pacífica e “sem
oposições”. O acordo que une ENI, Amorim Energia e Caixa Geral
de Depósitos (1%) obriga a que a venda da totalidade ou de parte das
respetivas participações seja autorizada pelos restantes dois
acionistas.

Já a Sonangol tem todo o interesse em que esse negócio se
concretize rapidamente para ganhar uma posição direta na Galp
(agora apenas participa indiretamente no capital, através da
Amorim). “Estamos a trabalhar nesse cenário, estamos a
negociar”, confirmou o administrador executivo da petrolífera
angolana, Sebastião Gaspar Martins. Uma informação que, apesar de
confirmada em vários momentos pelos angolanos, a ENI nega. Em
Londres, Scaroni garantiu que “não estão, neste momento, a
decorrer” negociações com a Sonangol.

A ENI quer vender a sua posição na Galp por 3,6 mil milhões,
conforme avançou o Dinheiro Vivo no final de fevereiro, e está só
à espera da melhor oportunidade para vender a um ou a mais
interessados.

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